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<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0"><channel><atom:link href="https://blogdovp.blogia.com/feed.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><title>O BLOG DO V-P</title><description>"Lucharemos todos juntos,&lt;br /&gt;todos juntos en uni&#xF3;n,&lt;br /&gt;defendiendo la bandera,&lt;br /&gt;de la Santa Tradici&#xF3;n"&lt;br /&gt;(do "Oriamendi")&lt;br /&gt;</description><link>https://blogdovp.blogia.com</link><language>es</language><lastBuildDate>Sun, 10 Dec 2023 12:02:20 +0000</lastBuildDate><generator>Blogia</generator><item><title>Mas DEUS n&#xE3;o permitiu</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/103001-mas-deus-nao-permitiu.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/103001-mas-deus-nao-permitiu.php</guid><description><![CDATA[<div>Testemunho confi&aacute;vel (e que se afirmou visual) d&aacute; conta de que nosso amigo V-P esteve, de fato, na Igreja da Rue du Bac, em Paris, ali rezando por amigos e alunos. Diligenciou V-P que de l&aacute;, em m&atilde;os, seu Cellareiro me entregasse numerosas medalhas milagrosas, rogando-me as distribu&iacute;sse entre v&aacute;rias pessoas cujos nomes V-P alistara, <em>pressentindo</em> (julgo-o) <em>a pr&oacute;pria morte</em>. Disseram-me ainda que foi ele visto em Amsterdam, no dia 26 de outubro deste ano, vagueando nas imedia&ccedil;&otilde;es do canal da Prinsengracht.</div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div>  <div> </div>  <div> </div><div>&nbsp;</div><div>Hoje recebi a curios&iacute;ssima not&iacute;cia de seu decesso. Coisa que n&atilde;o me surpreendeu. Avistava eu que ele andava mesmo &agrave; morte. Tampouco me admirou foi o confirmar-se, por pessoa digna de cr&eacute;dito, minha suspeita de que nosso V-P era apenas uma sobreviv&ecirc;ncia figurada (e anacr&ocirc;nica) de Jaume Debuixos Silva Font, o <em>Campon&ecirc;s  de Andorra</em>, morto j&aacute;, aos 12 de setembro de 1997, <em>en un indret desconogut  </em>dos Pirineus.</div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div>  <div> </div>  <div> </div><div> </div><div>&nbsp;</div><div>Pouco mais de seis anos depois, morre-lhe assim o  <em>heter&ocirc;nimo</em>. As imita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o resistem melhor &agrave; prova da experi&ecirc;ncia do que seus correspondentes originais.</div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div>  <div> </div>  <div> </div><div> </div><div>&nbsp;</div><div>Encerra-se o <em>blog. </em>Acabo de ler a  derradeira parte da <em>Trilogia do Campon&ecirc;s de Andorra </em>("Da &uacute;ltima carta..."). Li-a, com renovada emo&ccedil;&atilde;o (mas tamb&eacute;m com uma dose de humor). <strong>A todos os generosos tolerantes com o V-P recomendo que leiam essa parcela da <em>Trilogia</em></strong>.  O fato &eacute; que se clausura este <em>blog</em>, por falta (n&atilde;o s&oacute;, mas tamb&eacute;m) do campon&ecirc;s que o redigia com o cora&ccedil;&atilde;o subposto a DEUS. Era, de fato, meu amigo... Sentir-lhe-ei a aus&ecirc;ncia. Era todo amigo.</div><div> </div><div> </div><div> </div>  <div> </div>  <div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div>&nbsp;</div><div>(ass.)<em> O Desembargador que v&oacute;s  sabeis</em></div><div>&nbsp;</div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div> </div><div>P.S.: Na foto acima, o canal da Prinsengracht, esquina com a Leidsestraat, em Amsterdam, onde se viu com vida, pela &uacute;ltima vez, nosso estimado V-P. Consta que, sem &ecirc;xito, pouco antes da morte, quis, vacilante (ah! o quanto n&atilde;o lhe custou a ocasional falta de equil&iacute;brio e de reserva... quanto me reclamou de seus rid&iacute;culos, o pobre), dirigir uma das bicicletas estacionadas no local. N&atilde;o, n&atilde;o conseguiu trafegar. Desequilibrou-se. Foi ao solo. O pobre esquecera-se de que j&aacute; andava <em>meridiano</em> demais para aventurar-se. Toda a queda poderia ser-lhe fatal. Morreu bem. Eticamente bem, se se permite possa eu quanto a isso opinar. Morreu sem ressentimentos, sem raivas, sem &oacute;dios, morreu como haveria de morrer um cruzado crist&atilde;o, com a alegria habitual em que, sonhador, vivia qual se fora um poeta. Mas o fato &eacute; que morreu...&nbsp; E isso me entristece. Ponto e basta.&nbsp; </div><div> </div>]]></description><pubDate>Mon, 30 Oct 2006 16:40:00 +0000</pubDate></item><item><title>AT&#xC9; A VOLTA, SE DEUS PERMITIR</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/100801-ate-a-volta-se-deus-permitir.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/100801-ate-a-volta-se-deus-permitir.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal">O <em>Desembargador que v&oacute;s sabeis</em> concedeu-me 15 dias de f&eacute;rias. Ele vai &agrave; Espanha, ou como prefere dizer: a uma das Espanhas; eu, &agrave; Terra de Fran&ccedil;a, a Terra de Santa Joana D&rsquo;Arc. Parto dia 14. Volto, DEUS mediante, dia 28 de outubro. Suspendo meus deveres de estado profissional.</p>     <p class="MsoNormal"> <br /> <strong>1- MEMENTO PRIMEIRO DO ALUNADO</strong>: </p>     <p class="MsoNormal">J&aacute; tenho uma lista de impetrantes que me pediram representa&ccedil;&atilde;o junto ao corpo incorrupto de Santa CATHERINE LABOUR&Eacute; (1806-1876), na Igreja da Rue du Bac (isto &eacute;, <em>la Chapelle Notre-Dame de la M&eacute;daille Miraculeuse</em>). </p>     <p class="MsoNormal">De of&iacute;cio, rezarei por minhas filhas, a meia d&uacute;zia de meus afilhados e tamb&eacute;m as tr&ecirc;s benjamins do discipulado. </p>     <p class="MsoNormal">(<em>Pausa para publicidade: os que desejem integrar o elenco, escrevam para este</em> blog<em>.</em><em> Comprometo-me com uma Ave-Maria para cada qual. Se quiserem tamb&eacute;m que eu lhes traga a medalha milagrosa, pe&ccedil;am-me; farei o poss&iacute;vel para traz&ecirc;-la, j&aacute; benta, para cada um dos que a demandarem</em>).</p>     <p class="MsoNormal"><strong>2- MEMENTO SEGUNDO DO ALUNADO</strong>: </p>     <p class="MsoNormal">Subirei a Montmartre e l&aacute; verei um p&ocirc;r-de-sol na Paris de todos os sonhos. Lembrar-me-ei de meus alunos. Serei ali um pouco seus olhos. Desejarei, de cora&ccedil;&atilde;o &mdash;bem &agrave; frente da Bas&iacute;lica do Sacr&eacute;-Coeur, cuja cripta emociona-me sempre&mdash;, que todos um dia tenham o gosto de, pessoalmente, contemplar a sublimidade de um desate cotidiano da, vista de Montmartre, <em>Terre de France</em>. </p>     <p class="MsoNormal">(Ancoragem interpretativa: isso &eacute; muito melhor e mais significativo do que, apesar da grandeza do vinho tinto, limitar-me &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o de um brinde aos alunos. Em todo caso, como o sugeriu CHESTERTON, aproveitemos a ocasi&atilde;o para rezar a DEUS, agradecendo a inven&ccedil;&atilde;o do Borgonha).</p>     <p class="MsoNormal"><strong>3- PELA PONT-NEUF</strong>: </p>     <p class="MsoNormal">Perdoem-me. Am&aacute;vel censura impede-me falar do tempo de meu meridiano. Todavia, pe&ccedil;o isto, deixem-me andar pela Pont-Neuf (: foto acima). Deixem-me, ainda que s&oacute; por uns breves minutos, deixem-me andar por ali e dar r&eacute;deas &agrave; <em>&ldquo;louca da casa&rdquo;</em>, na express&atilde;o de Santa TEREZA DE &Aacute;VILA, e que possa imaginar, enquanto atravesso essa linha de fronteira da &Icirc;le de la Cit&eacute;, uma imensa e remo&ccedil;ada alegria neste mundo do bom DEUS.<br /> </p>     <p class="MsoNormal">Cruzava essa ponte, em seus pouco menos de 280 metros, de extremo a extremo, em 385 ou 390 passos de minhas pernas mais jovens. Agora, com mais vagar, por l&aacute; andarei 420 ou 425 passos, menos por culpa das pernas desgastadas do que do ar apaixonante da travessia. </p><p class="MsoNormal">Sedutor ambiente do <em>Vert Galant</em>, a Pont-Neuf, velha de s&eacute;culos (inaugurou-se em 1607), dizem alguns ser o mais rom&acirc;ntico dos lugares do mundo. Sempre duvidei dessa refer&ecirc;ncia: o lugar mais rom&acirc;ntico do mundo &eacute; o em que se encontram e acercam dois cora&ccedil;&otilde;es apaixonados de m&uacute;tuo e casto amor, cora&ccedil;&otilde;es relativos de um reto amor que, moderado pela raz&atilde;o, &eacute; vest&iacute;gio agud&iacute;ssimo de DEUS. </p>     <p class="MsoNormal"><span></span>Perdoem-me, contudo, que, num mundo t&atilde;o utilit&aacute;rio e burocr&aacute;tico em que se vai o nosso pervertendo, eu me resguarde no universo po&eacute;tico, e assim regresse aos tempos de um amor (dir-se-&aacute;) ing&ecirc;nuo, e que me imagine rejuvenescido, e assim me ponha a cruzar vagarosamente a Pont-Neuf.</p>     <p class="MsoNormal">Ser&atilde;o 420 &mdash;ou 425&mdash; passos. &Eacute; s&oacute; isso que estou a pedir-lhes. N&atilde;o &eacute; muito. Ser&atilde;o alguns apenas os minutos e os passos dessa travessia: seremos eu e minha transit&oacute;ria e enlouquecida imagina&ccedil;&atilde;o. Deixem-me passar pela ponte. Mais nada, nada mais. Depois isso, tratarei de, regressado dos sonhos, atar fortemente a "louca da casa". </p>]]></description><pubDate>Sun, 08 Oct 2006 09:34:00 +0000</pubDate></item><item><title/><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/100701-de-brevitatis-adulatio-ou-de-jeans-la-dolfina.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/100701-de-brevitatis-adulatio-ou-de-jeans-la-dolfina.php</guid><description><![CDATA[<p><span>Um surto hipocondr&iacute;aco, reman&ecirc;ncia dos tempos em que eu vivi doente (e por pouco n&atilde;o morri das complica&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias de uma tosse al&eacute;rgica), levou-me sexta-feira pela manh&atilde; a um nosoc&ocirc;mio lotado de enfermos. Picaram-me o bra&ccedil;o, retiraram-me sangue, contar-me-&atilde;o o PSA. N&atilde;o vale que me afirmem que estou com uma cara boa; estou persuadido: <em>quem v&ecirc; cara, n&atilde;o v&ecirc; pr&oacute;stata</em>. </span></p>   <p><span>Esse n&atilde;o &eacute; o tema central desta postagem. A quest&atilde;o &eacute; outra. N&atilde;o me vi confort&aacute;vel de palet&oacute; e gravata para que me surrupiassem um pouco de sangue. Ent&atilde;o pus-me no que, salvo engano de minha parte, chamam de "traje esportivo". Isso sempre me pareceu um convite para ajaezar-me de uma camisola do Jabaquara. Minhas filhas ferreteiam-me em dizer que n&atilde;o &eacute; assim. Tornaram-me defeso vestir-me sem aconselhamento. </span></p>   <p><span>O fato &eacute; que me enroupei de uma camiseta <em>La Dolfina</em> e de um par de panos juntados que, segundo me ensinaram, faz as vezes de uma cal&ccedil;a.</span></p>   <p><span>Explico-me, primeiro, sobre a cal&ccedil;a. Chamei-a, certa vez, de <em>rancheira</em>, tal era comum referi-la na minha mocidade, e fui por isso alvejado com meia d&uacute;zia de cascalhadas incont&iacute;veis. Tentei corrigir: "N&atilde;o, n&atilde;o <em>rancheira</em>. <em>Lee</em>, cal&ccedil;a <em>Lee</em>, perd&atilde;o...". Novas cachinadas, e desta vez superando a meia d&uacute;zia. Algu&eacute;m, piedosamente, lecionou-me que essa esp&eacute;cie de cal&ccedil;a agora se designa <em>jeans</em>. <em>Jeans</em> que, a meu ver, aqui para n&oacute;s, &eacute; s&oacute; um tecido... Mas v&aacute; l&aacute;, met&aacute;foras, met&aacute;foras... Deve ser coisa excelente essa <em>jeans</em> (ou rancheira, ou <em>Lee</em>...), porque n&atilde;o h&aacute; meu anivers&aacute;rio (ainda o comemoro) ou Natal em que n&atilde;o me presenteiem com uma dessas <em>jeans</em>. E, de modo invari&aacute;vel, vem ela adornada com dois avisos orais: 1- <em>"agora, sim, trata-se de uma cal&ccedil;a de &uacute;ltimo tipo, moderna, moderna"</em> (as dos anos anteriores, sugerem-me, devem amealhar-se num canto rec&ocirc;ndito do roupeiro, sem m&iacute;nima voca&ccedil;&atilde;o para o uso); 2- <em>"essa cal&ccedil;a serve para todas as ocasi&otilde;es"</em> (o que, a ser verdade, me induz pensar que n&atilde;o serve para ocasi&atilde;o nenhuma, prim&iacute;cia de que logo segue me ponha eu a acastelar a nova <em>jeans</em> no monte das antigas).</span></p>   <p><span>Agora trato da camiseta <em>La Dolfina</em>. Preta, com a etiqueta da marca (logotipo e texto) estampada na frente da pe&ccedil;a: sentir-me-ia uma esp&eacute;cie de <em>outdoor</em> ambulante, n&atilde;o se dera que, trist&iacute;ssima figura, comporto-me, habitual canhestro, como um paradoxo da publicidade poss&iacute;vel: um painel deambulador antipublicit&aacute;rio! Comprei essa <em>Dolfina</em> em Buenos Aires, na Galeria Pac&iacute;fico, <em>au</em> <em>r&eacute;s de chauss&eacute;e</em>. Garantiu-me o vendedor (foi o mesmo que, certa vez, me empurrara um terno gelo s&oacute; rara e corajosamente vestido), dizia eu: garantiu-me o vendedor que, com minha <em>esbelta complei&ccedil;&atilde;o</em> (era de mim, era de mim que ele estava a falar!), dispensava provasse eu a camiseta. Nascemos, a camiseta e eu, um para o outro. Amor pela <em>Dolfina</em> &agrave; primeira vista. <em>Rectius</em>: &agrave; vista, de fato, foi o pagamento do pre&ccedil;o da camiseta...</span></p>   <p><span>S&oacute; no Brasil, resolvi trajar-me com essa desdita cuja <em>Dolfina</em>. De pronto, coloquei-a mal: o logotipo foi parar nas costas. A desgra&ccedil;ada, ap&oacute;s isso, n&atilde;o queria sair; enroscou-se em meu pesco&ccedil;o, e sorte minha que eu n&atilde;o estava em crise hipocondr&iacute;aca; teria morrido estrangulado pela <em>Dolfina</em>. Advertiram-me a tempo de que uma etiqueta interna assinala a orienta&ccedil;&atilde;o correta das camisetas (l&aacute; em casa s&atilde;o minha mulher, tr&ecirc;s filhas, duas empregadas... sempre h&aacute; algu&eacute;m de vigil&acirc;ncia quando apare&ccedil;o ajambrado). Nova experi&ecirc;ncia: o logotipo veio para a frente mas as mangas sobraram, batendo-me na ponta extrema do dedo m&eacute;dio de cada m&atilde;o. Algu&eacute;m confortou-me com o fato de que, ao menos, as duas mangas tinham o mesmo comprimento.</span></p>   <p><span>Deram-me um curso r&aacute;pido, mais ou menos ao estilo Assimil, de que a <em>Dolfina</em> poderia ainda usar-se, contanto que eu recuasse as mangas &agrave; altura da metade do antebra&ccedil;o, o que corresponde, no meu caso, a um meu palmo e oito dedos a contar do linde extremo do dedo m&eacute;dio. A boa not&iacute;cia posterior foi que a <em>Dolfina</em>, ap&oacute;s lavagem depuradora, n&atilde;o encolheu; ao rev&eacute;s, parece que cresceu; s&oacute; parece que cresceu: n&atilde;o cresceu, deformou-se. As mangas esticaram talvez um pouquinho, v&aacute; l&aacute;, o que n&atilde;o me acrescentou, por&eacute;m, nova tarefa em seu retorno &agrave; metade do antebra&ccedil;o, dada a cautela com que, discreto que sou, adotei crit&eacute;rio gnosiol&oacute;gico objetivo, o ponto m&eacute;dio do antebra&ccedil;o, para manter minhas m&atilde;os a descoberto.</span></p>   <p><span>Diante desse quadro, &eacute; f&aacute;cil conjecturar o quanto, arroupado com a <em>jeans</em> e a <em>Dolfina</em>, eu, numa imprudente passagem pela nossa Fac, fiquei aterrorizado ao encontrar duas corteses e estimad&iacute;ssimas ex-alunas, a DINORAH *** e a ELAINE ***. Por pouco n&atilde;o me desemaranhei de falar-lhes, mas n&atilde;o lhes pude resistir ao aceno gentil. Dois dedinhos de prosa (n&atilde;o arrisquei mais do que os mindinhos, n&atilde;o fora o caso de que, fossem os m&eacute;dios, perderia o par&acirc;metro para tresandar a <em>Dolfina</em>), e uma dessas antigas alunas, eu n&atilde;o sabia que idioma implac&aacute;vel tinha a ELAINE, abdicando de sua munific&ecirc;ncia costumeira, comentou, <em>brevitatis adulatio</em>, com impl&iacute;cito reporte &agrave; <em>Dolfina</em> e ao <em>jeans</em>: <em>"Permita-me dizer-lhe, Senhor Professor, que a roupa esporte lhe cai muito bem!"</em> (as mangas da <em>Dolfina</em>, Doutora, elas &eacute; que estavam prestes a cair...). A minha prezad&iacute;ssima ex-aluna vai ter de explicar o motejo a vida inteira, at&eacute; a quarta gera&ccedil;&atilde;o (<em>"eu vi, eu vi, n&atilde;o minto...");</em> e d&aacute;-lhe hist&oacute;rico dos fatos. Em breve, gra&ccedil;as a isso, ser&aacute; a mais popular das alunas da nossa Fac. Uma historiadora. Escuso-a de cora&ccedil;&atilde;o. Eu tamb&eacute;m achei gra&ccedil;a (ou desgra&ccedil;a) da <em>Dolfina</em> e da cal&ccedil;a <em>jeans</em>.</span> </p>   <p style="text-align: center" align="center">&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Sat, 07 Oct 2006 20:30:00 +0000</pubDate></item><item><title>FOI CERTA VEZ, ALGUMA VEZ, ERA INVERNO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/100401-foi-certa-vez-alguma-vez-era-inverno.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/100401-foi-certa-vez-alguma-vez-era-inverno.php</guid><description><![CDATA[<p> </p><p>Volto aqui, assim o prometera, ao tema da <em>paix&atilde;o outonal</em>. Permitam-me avistar que, na postagem pret&eacute;rita (cfr. abaixo "Sobre a Paix&atilde;o Outonal: Primeiros T&oacute;picos"), adverti <em>com todas as letras</em> que h&aacute; boas e h&aacute; m&aacute;s paix&otilde;es outonais. No que segue, o de que se trata &eacute; a circunstancial hist&oacute;ria da aus&ecirc;ncia de uma paix&atilde;o de outono; em troca, refiro a nostalgia suscitada por uma can&ccedil;&atilde;o lind&iacute;ssima, cujos versos (eis o ponto) versam um <strong>amor de outono</strong>.&nbsp; </p><p>Era Montevid&eacute;u e era julho de 1996 (lembram-me o frio e a tristeza em que me enterrava, do&iacute;do ainda da morte recente de meu pai). Reencontrei ali, na voz amor&aacute;vel de LAURA CANOURA (que aparece na foto acima), nosso intenso e dram&aacute;tico tema outonal. Ouvi-a cantar, conduzida ent&atilde;o pela feliz reg&ecirc;ncia de HUGO FATTORUSO, <em>En este oto&ntilde;o</em>, de ARMANDO MANZANERO, grande compositor mexicano (s&atilde;o suas, entre outras, <em>Contigo aprend&iacute; </em>e <em>Somos novios</em>). <br /> </p><p>Eis agora o poema de MANZANERO, que me faz regressar &agrave;quela invernal tristeza de 96: </p><p>&nbsp;</p><p>"En este oto&ntilde;o,</p><p>cuando las hojas de mi tiempo </p><p>se amontonan,</p><p>que mi pasado y mis errores </p><p>me aprisionan,</p><p>surjes de pronto</p><p>y me construyes</p><p>otro sue&ntilde;o.</p><p> </p><p>En este oto&ntilde;o,</p><p>que mis anhelos se bat&iacute;an en retirada,</p><p>que mis deseos se perd&iacute;an </p><p>en la nada,</p><p>me haces sentir en este oto&ntilde;o</p><p>que del mundo yo soy due&ntilde;o.</p><p> </p><p>En este oto&ntilde;o,</p><p>cuando me hallaba recordando</p><p>primaveras,</p><p>me manten&iacute;a caminando horas enteras,</p><p>y era mi perro </p><p>compa&ntilde;ero de mi oto&ntilde;o.</p><p> </p><p>En este oto&ntilde;o,</p><p>estoy viviendo otra vez</p><p>la adolescencia,</p><p>fue el toque m&aacute;gico de un beso</p><p>y tu presencia,</p><p>que bello tiempo estoy viviendo,</p><p>estoy sintiendo en este oto&ntilde;o...". </p>]]></description><pubDate>Wed, 04 Oct 2006 10:14:00 +0000</pubDate></item><item><title>UM INSTANT&#xC2;NEO DE SANTA CRUZ DO SUL</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/100201-um-instantaneo-de-santa-cruz-do-sul.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/100201-um-instantaneo-de-santa-cruz-do-sul.php</guid><description><![CDATA[<p> </p><p>Na foto acima, referente ao final da aula na Universidade de Santa Cruz do Sul, em 15-9-2006, entre outros importantes estudiosos do Direito:</p><p>1- &agrave; esquerda, trajando casaco verde, o eminente registrador de Lajeado, nosso muito amigo CARLOS FERNANDO WESTPHALEN;</p><p>2- a seu lado, nossa amiga Dra. ADRIANA TEIXEIRA DE OLIVEIRA, de Passo Fundo;</p><p>3- segue-lhe, para a direita, a costumeiramente pouco prop&iacute;cia figura do palestrante, </p><p>4- que tem &agrave; sua esquerda a Dra. DANIELA BELLAVER, de Farroupilha;</p><p>5- ainda de p&eacute;, o pen&uacute;ltimo da foto, &agrave; direita, &eacute; o autorizado estudioso do Direito Registral e muito amigo Dr. LUIZ EGON RICHTER;</p><p>6- &agrave; sua frente, agachados, de terno e gravata, o jurista RICARDO GUIMAR&Atilde;ES KOLLET, e, a seu lado, com jaqueta clara, o registrador p&uacute;blico PAULO &Aacute;VILA, de Teot&ocirc;nia.</p><p>Fico a dever a identifica&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica dos demais que, n&atilde;o por essa defici&ecirc;ncia de meus neur&ocirc;nios, deixam aqui de merecer o melhor e mais sincero de meu respeito e considera&ccedil;&atilde;o pessoal. </p>]]></description><pubDate>Mon, 02 Oct 2006 09:16:00 +0000</pubDate></item><item><title>QUANDO A OUTRA ABRE A BOCA... (SAI DE BAIXO!)</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092501-quando-a-outra-abre-a-boca-sai-de-baixo-.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092501-quando-a-outra-abre-a-boca-sai-de-baixo-.php</guid><description><![CDATA[<p>Encontra-me um velho amigo mineiro, que me pergunta: <em>"Leu o &uacute;ltimo n&uacute;mero do &#39;Povo de Deus em S&atilde;o Paulo&#39;?"</em>. </p>   <p>Eu respondi, com alguma indiscreta rapidez: <em>"N&atilde;o li, mas se soubesse que era o <strong>&uacute;ltimo</strong> n&uacute;mero, teria lido... e com qual satisfa&ccedil;&atilde;o!"</em>. </p>   <p><em>"Falando s&eacute;rio, VP... N&atilde;o leu mesmo?"</em>. </p>   <p>E vai da&iacute; me conta e mostra, no folhetim de 24-9-2006 (ano 30, n. 50, B), entre as ora&ccedil;&otilde;es dos fi&eacute;is, esta <em>p&eacute;rola da Outra</em>:</p>   <p><em>"Pela Santa Igreja de Deus, para que busque no servi&ccedil;o e na disponibilidade a toda a humanidade seu &uacute;nico motivo de gl&oacute;ria, rezemos"</em>. </p>   <p>Interpela o arguto mineiro: <em>"U&eacute;, agora o <strong>motivo</strong> (n&atilde;o s&oacute; isso, o <strong>&uacute;nico motivo</strong>) da gl&oacute;ria da Igreja n&atilde;o &eacute; mais DEUS? &Eacute; o servi&ccedil;o e a disponibilidade aos homens, &eacute;?"</em>.</p>   <p>E rematou o pensador de Diamantina: &ldquo;Eis a linguagem da <em>Outra</em>! Seu sonho &eacute; o de concorrer com a ONU. Ah!, a <em>Outra</em>, a fraudat&oacute;ria, a ONG de todas as confiss&otilde;es...".</p>   <p>Eu, que n&atilde;o sou mineiro, s&oacute; respirei fundo, guardei o ter&ccedil;o no bolso e deitei fora o folhetim. Apenas come&ccedil;ava meu domingo.<br /> </p>]]></description><pubDate>Mon, 25 Sep 2006 09:22:00 +0000</pubDate></item><item><title>QUANDO AS LETRAS HUMANAMENTE ESCRITAS OCUPAM O LUGAR DE CRISTO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092401-quando-as-letras-humanamente-escritas-ocupam-o-lugar-de-cristo.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092401-quando-as-letras-humanamente-escritas-ocupam-o-lugar-de-cristo.php</guid><description><![CDATA[<p>Uma tarde dessas, na semana que passou, fui &agrave; Igreja de A***, para rezar junto ao Sacr&aacute;rio. Como &eacute; j&aacute; freq&uuml;ente acontecer nas ins&iacute;pidas igrejas <em>modernosas</em>, o Sant&iacute;ssimo n&atilde;o fica mais no centro do altar; fica ao lado, numa capela isolada. Em vez do Sacr&aacute;rio, no altar, colocou-se ali uma estante de madeira (<em>n&atilde;o, n&atilde;o minto, n&atilde;o caricaturo, n&atilde;o excedo os lindes da verdade mediante ironia ou sarcasmo!</em> <em>D&oacute;i-me, ao contr&aacute;rio, falar tudo isto</em>), e, nela, r&uacute;stica e fraudat&oacute;ria estante, reuniram-se modernas edi&ccedil;&otilde;es e pobremente encapadas da B&iacute;blia de Deus. As capas rudimentares s&atilde;o um acr&eacute;scimo de pauperismo, de miserabilismo, desse empobrecimento ideol&oacute;gico que faz da rusticaria um objetivo, do feio, uma grandeza, do falso, a perfei&ccedil;&atilde;o. Trata-se da Outra, da falseada que vai mostrando a carantonha no pr&oacute;prio Templo da Verdade. Assediaram-na, tomaram a Casa da Verdadeira, fraudaram-na, fraudaram-nos. No lugar do Verbo, exibem-se uns textos humanamente impressos. </p><p>N&atilde;o se conjecture queira eu <em>retornar</em> no tempo. N&atilde;o se trata de uma <em>volta para tr&aacute;s</em>, trata-se (como sugeria MARCEL DE CORTE) de um <strong>regresso ao real</strong>, porque ao princ&iacute;pio era o Verbo! E Ele sempre o ser&aacute;! </p>]]></description><pubDate>Sun, 24 Sep 2006 09:59:00 +0000</pubDate></item><item><title>IMPUTA&#xC7;&#xC3;O GRACIOSA  A SUPOSTO USO DE MEU HIPERB&#xD3;LICO E PARADOXAL NARIZ</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092202-imputacao-graciosa-a-suposto-uso-de-meu-hiperbolico-e-paradoxal-nariz.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092202-imputacao-graciosa-a-suposto-uso-de-meu-hiperbolico-e-paradoxal-nariz.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span>             </span>Graciosa opini&atilde;o, outro dia, reportou-se a um cogit&aacute;vel meu bom gosto na escolha e uso de perfumes.</p>     <p class="MsoNormal"><span>             </span>Considero, de fato, graciosa essa opini&atilde;o, n&atilde;o apenas porque <em>gratuita</em> (<em>i.e.</em>, sem fundamento na realidade das coisas), mas tamb&eacute;m porque <em>faceciosa</em>. Tolero esse tipo de gra&ccedil;a com meus defeitos pessoais, especialmente porque eu pr&oacute;prio me divirto com eles. Explicar-me-ei um pouco melhor.</p>     <p class="MsoNormal"><span>             </span>A regular distribui&ccedil;&atilde;o de virtudes e defeitos &eacute; um mist&eacute;rio na economia da Provid&ecirc;ncia: quando nasci &mdash;valho-me aqui da fid&uacute;cia que deposito na narrativa de meus pais&mdash;, j&aacute; vinha eu provido de nar&iacute;cula incoadun&aacute;vel com as simetrias geom&eacute;tricas por ent&atilde;o conhecidas no universo criado. </p><p class="MsoNormal">Segundo rela&ccedil;&atilde;o de uma tia, a Walderez (hist&oacute;ria que dela ouvi com repeti&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica, de maneira sempre substancialmente un&iacute;voca), tr&ecirc;s m&eacute;dicos foram un&acirc;nimes em tranq&uuml;ilizar meus amor&aacute;veis pais quanto &agrave; possibilidade aspirat&oacute;ria do surpreendente mostrengo nasal do, de resto, pequeno filho, ainda que &mdash;prognose depois felizmente frustrada&mdash; um desses Hip&oacute;crates haja guardado prudente reserva acerca dos riscos expirat&oacute;rios da impressiva narina do neonato, muito receoso o m&eacute;dico de que, especialmente em caso de s&uacute;bita exala&ccedil;&atilde;o, houvesse risco de les&otilde;es pessoais e danos materiais no indefeso entorno. </p><p class="MsoNormal">Uma de minhas queridas av&oacute;s, a Nagibe, noticiou-me, firmando-se em fontes que jurava id&ocirc;neas, nunca antes, na Maternidade S&atilde;o Paulo, em que nasci no ano da Gra&ccedil;a de 1950, tantas visitas e interjei&ccedil;&otilde;es de espanto freq&uuml;entarem e referirem um agregado nasal de rec&eacute;m-nascido. Eu era, enfim, o primeiro neto e portento da fam&iacute;lia, e, conforme registrava a av&oacute;, merecia as muitas e protocolares ostenta&ccedil;&otilde;es, que se prolongaram, sob vistas mais curiosas do que amantes, por meses e meses a fio. Essa minha av&oacute; paterna sempre se orgulhou do neto, a quem aconselhava (e dizia ser isto um favor ao Bem Comum) que nunca se resfriasse. Cautelosa, a nossa Nagibeta, e prendada na arte da agulha, deu-me essa bela senhora, com carinho invicto, meu primeiro lencinho, feito de algod&atilde;o pur&iacute;ssimo, com forma retangular, medindo 80 cm em dois lados e 95 cm nos outros dois. Minha tia Yvone, a ela, irm&atilde; mais velha de meu pai, coube a honra de aumentar os bolsos traseiros de minhas cal&ccedil;as, para que, adrede, ali coubesse o lencinho. Quando tinham de lav&aacute;-lo (o que sempre exigia n&atilde;o fosse tempo de racionamento de &aacute;gua), isto era um malef&iacute;cio para mim: n&atilde;o s&oacute; se dava que eu n&atilde;o sa&iacute;a de casa at&eacute; que me restitu&iacute;ssem o pano, sen&atilde;o que o excesso de anil aplicado ao processo de alvejamento do len&ccedil;o me provocava recorrentes esternuta&ccedil;&otilde;es. De modo que era manifesto o c&iacute;rculo vicioso: devolvido o lencinho, dele exalava algum numinoso odor, e d&aacute;-lhe ent&atilde;o espirro insistente; isso me fazia anodoar o pano com perdigotos, e, dessa maneira, quanto mais rapidamente eu enxovalhava o len&ccedil;o com borrifos, mais brevemente ele se lavava e sofria nova incid&ecirc;ncia de anil, propiciando mais e renovadas esternuta&ccedil;&otilde;es. Gra&ccedil;as a isso, eu permanecia longo tempo em casa, o que me permitiu aprender um pouquinho do idioma catal&atilde;o, estudar a geografia de Andorra La Vella e formar uma cole&ccedil;&atilde;o supimpa de embalagens roxas de anil Colman. </p>     <p class="MsoNormal"><span>             </span>Menino, com cabelo &agrave; Garcez, na escola prim&aacute;ria, l&aacute; por mais de uma vez fui suspeito de, nas fossas de meu festejado septo, abrigar pequenos bilhetes amorosos (que me teria remetido, com o desenho de flechados cora&ccedil;&otilde;es, a Adalgisa, menina m&iacute;ope, m&iacute;ope de todo, e estr&aacute;bica tamb&eacute;m). Certa ocasi&atilde;o, fui mesmo parar na sala da Diretoria, por ind&iacute;cios circunstanciais de, com esfor&ccedil;ada aspira&ccedil;&atilde;o, ter, propositadamente, mitigado o <em>quantum</em> da prudente reserva a&eacute;rea de uma cabine local de elevador, com risco de desfalecimento para os utentes do ve&iacute;culo. Suspeitas e acusa&ccedil;&otilde;es injustas (: quanto aos bilhetes da Adalgisa, esclare&ccedil;o, eu os guardava no meio do lencinho, em que, apesar das buscas pessoais dos bed&eacute;is, nunca foram encontrados). Increpa&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m disso, infrut&iacute;feras, pois n&atilde;o diminu&iacute;ram mil&eacute;simo de c&ocirc;vado de meu nariz. Mocinho j&aacute;, com meus 18 ou 19 anos, quando me plantava, sob o sol, &agrave; espera, na Pra&ccedil;a do Patriarca, do &ocirc;nibus que me levaria para a Vila Madalena onde morava, sempre via um bando de meninos e meninas, de seus sete ou oito anos, correrem para a fila, abrigando-se, &agrave; sombra da pouco fidalga minha nar&iacute;cula, dos por ent&atilde;o castigantes ardores do ver&atilde;o. </p>     <p class="MsoNormal"><span>             </span>N&atilde;o bastava isso, n&atilde;o, n&atilde;o bastava n&atilde;o! Calha que esse meu aduncado nariz &mdash;posto ao concerto de um liban&ecirc;s gen&eacute;tico estilo&mdash; tem um defeito funcion&aacute;rio paradoxal: desproporcionado por sua extens&atilde;o &agrave;s harm&ocirc;nicas linhas do universo, opera mal; n&atilde;o, n&atilde;o &eacute; que opera mal, atua pessimamente, ou por outra: <em>n&atilde;o cheira</em>. Por uma dessas penas compensat&oacute;rias das do Purgat&oacute;rio, sobre, pois, ter de comigo lev&aacute;-lo, esse nariz grandioso, a toda parte, n&atilde;o cheira, n&atilde;o sente cheiro o est&uacute;pido. De modo que, algum perfume agrad&aacute;vel suponha-se eu use, se &eacute; mesmo agrad&aacute;vel, isso tenho de confiar no ju&iacute;zo alheio, e, para mim, ser&aacute; apenas ind&iacute;cio de que a Provid&ecirc;ncia age com miseric&oacute;rdia, recompensando-me das cruzes de lev&aacute;-lo em meio &agrave; face.</p>     <p class="MsoNormal"> <span>             </span>Muitos sabem disto: fui ter, outro dia, com um cirurgi&atilde;o, incumbido de extirpar-me feias pequenas verrugas de meu rosto que, em mat&eacute;ria de est&eacute;tica, n&atilde;o parece ter mais sorte de que seu aposto nasal. N&atilde;o vem ao caso, agora, avaliar a desarmonia gen&eacute;rica de minha desconcertante figura. Volto ao nariz: o valente cirurgi&atilde;o esteve a ponto de, a p&aacute;ginas tantas, arrancar-me a nar&iacute;cula, conjecturando-a terr&iacute;vel c&acirc;ncer, e dessa <em>mala praxis</em> s&oacute; me livrei porque uma santa enfermeira, a Hermog&ecirc;nea, ao presenciar o in&iacute;cio da projetada abla&ccedil;&atilde;o naricular, estourou uma sonor&iacute;ssima gargalhada. Foi dif&iacute;cil recomp&ocirc;-la, a Hermog&ecirc;nea, que por pouco, pouco, n&atilde;o perdeu o emprego. J&aacute; avistei a hip&oacute;tese de que, consumada fosse a erradica&ccedil;&atilde;o de minhas ventas, eu terminava por ali morrer de irrefre&aacute;vel hemorragia.</p>]]></description><pubDate>Fri, 22 Sep 2006 16:14:00 +0000</pubDate></item><item><title>DE DISC&#xCD;PULOS E ALUNOS: um di&#xE1;logo entre as nuvens</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092201-de-discipulos-e-alunos-um-dialogo-entre-as-nuvens.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092201-de-discipulos-e-alunos-um-dialogo-entre-as-nuvens.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal">Viajei a Porto Alegre na companhia do <em>Desembargador que v&oacute;s sabeis</em>, e, durante o v&ocirc;o destinado &agrave; capital ga&uacute;cha, indaguei de nosso amigo sobre sua doc&ecirc;ncia, pontualmente acerca da distin&ccedil;&atilde;o que faz entre <em>discipulado</em> e <em>alunado</em>. O texto abaixo busca, lealmente, repetir o di&aacute;logo, ainda que n&atilde;o com as palavras exatas em que a conversa se desenrolou. </p>   <p class="MsoNormal">VP &mdash; Senhor Desembargador (: doravante, <em>cum magna reverentia</em>, referi-lo-ei, nesta postagem, <em>Des.</em>), se, como sei, tem na sua tarefa docente uma inten&ccedil;&atilde;o sempre <em>formadora</em>, n&atilde;o consigo entender em que ponto distingue disc&iacute;pulos e alunos.</p>   <p class="MsoNormal">Des. &ndash; De fato, VP, a verdadeira doc&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; instrutora (: melhor dito, n&atilde;o &eacute; <em>s&oacute; </em>instrutiva). Nunca, efetivamente, &eacute; neutra; a afirma&ccedil;&atilde;o de neutralidade, de assepsia, n&atilde;o esconde os pressupostos ideol&oacute;gicos de ceticismo, agnosticismo, subjetivismo etc., quando n&atilde;o, at&eacute; mesmo, de avers&otilde;es escamoteadas (pense, p.ex., na atual onda de <em>cristofobia</em>). Julgo que a profiss&atilde;o de neutralidade &eacute; falsa, &agrave;s vezes conscientemente fraudat&oacute;ria da boa-f&eacute; da audi&ecirc;ncia. Meus alunos, a quem muito estimo, e meus disc&iacute;pulos sabem o n&uacute;cleo da doutrina que professo e nunca lhes nego, supostos os justos limites da inquiri&ccedil;&atilde;o, resposta de todo honesta quando me indagam sobre o que penso. Tampouco os discrimino quando n&atilde;o se compaginam com o pensamento que perfilho. <span> </span>Isso porque lhes respeito inteiramente a <em>pessoa</em>, ainda que n&atilde;o lhes conceda direito ao erro, erro com que n&atilde;o transijo.</p>   <p class="MsoNormal">VP &ndash; Permita-me, Des.: ponho-me de acordo em que a doc&ecirc;ncia sempre, de algum modo, seja formadora. &Eacute; por isso, exatamente por isso que n&atilde;o consigo j&aacute; entender em que se distinguir&atilde;o seus disc&iacute;pulos e seus alunos, se a ambos os grupos almeja <em>formar</em>. </p>   <p class="MsoNormal">Des. &ndash; &Eacute;&hellip; V&ecirc; com acerto, VP, que n&atilde;o est&aacute; na <em>forma&ccedil;&atilde;o</em> o ponto distintivo entre disc&iacute;pulos e alunos&hellip;</p>   <p class="MsoNormal">VP &ndash; Mas, ent&atilde;o, estaria em que os disc&iacute;pulos s&atilde;o os que lhe seguem as id&eacute;ias?</p>   <p class="MsoNormal">Des. &ndash; N&atilde;o, n&atilde;o est&aacute; nisso a distin&ccedil;&atilde;o. Entre meus <em>disc&iacute;pulos</em>, h&aacute; os que eu diria solidados com o n&uacute;cleo de meus supostos filos&oacute;ficos (: dou-lhe exemplo com o que mais <em>inteiramente</em> se aproxima do pensamento que perfilho, o Dr. ALEXANDRE G***, competente Promotor P&uacute;blico em ***); outros h&aacute; que, acercados um pouco menos e variavelmente desse n&uacute;cleo, n&atilde;o se afinam, acaso sem plena advert&ecirc;ncia disso, com a integralidade da doutrina tomista (: vejo-os, e lamento, ora influ&iacute;dos de subjetivismo, ora, de progressismo crist&atilde;o, ora, de idealismo ou de relativismo; isso tudo se imbrica, VP, e &eacute; uma coisa dif&iacute;cil de afastar de todo, at&eacute; porque esses meus disc&iacute;pulos s&atilde;o gente grande); ainda outros, at&eacute; mesmo, est&atilde;o muito distanciados daqueles supostos doutrin&aacute;rios tomistas. Judas Iscariotes, deslealdade &agrave; parte, &eacute; exemplo impressivo de disc&iacute;pulo <em>tamb&eacute;m</em> n&atilde;o-solidado ao pensamento de Seu Divino Mestre. Ao rev&eacute;s, tenho <em>alunos</em> que se aproximam bastante do fundo da minha cosmovis&atilde;o jusnaturalista e crist&atilde;. N&atilde;o me s&atilde;o mais ou menos afetos, n&atilde;o s&atilde;o mais ou menos capazes, mais ou menos respeit&aacute;veis apenas porque mais ou menos aderidos ao n&uacute;cleo doutrin&aacute;rio que esposo. Em suma, fico a pensar que alguns, um dia, dir&atilde;o francamente que se afastaram do discipulado porque n&atilde;o concordam comigo. N&atilde;o ser&atilde;o desleais com isso. Apenas dir&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o meus disc&iacute;pulos. &Eacute; um direito seu. H&aacute; muitos em tr&acirc;nsito, como pode ver: o futuro dir&aacute; se prosseguir&atilde;o, apesar das tenta&ccedil;&otilde;es relativistas, subjetivistas, imanentistas etc., na rica trilha que, de minha parte pobremente, estou a indicar-lhes. Seremos amigos de toda a forma, pois &eacute; de gente honrada que estou a falar. </p>   <p class="MsoNormal">VP &ndash; Acaso pensa, Des., ao falar em Judas, que se distingam<span>  </span>os disc&iacute;pulos porque os vocaciona um mestre?</p>   <p class="MsoNormal">Des. &ndash; Essa &eacute; uma distin&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, VP. Com efeito, foi JESUS CRISTO quem escolheu Seus disc&iacute;pulos, e &eacute; o mestre quem chama seus pr&oacute;prios disc&iacute;pulos. Todavia,<span>  </span>essa voca&ccedil;&atilde;o &eacute; posterior &agrave; escolha. Chama-os porque os elegeu, e elegeu-os, pois, distinguindo-os entre outros, distinguindo-os, quando o caso, entre alunos.</p>   <p class="MsoNormal">VP &ndash; N&atilde;o ser&atilde;o decerto melhores s&oacute; por isso&hellip; quando penso em Judas.<span>  </span>Confesso-me sem id&eacute;ias&hellip;</p>   <p class="MsoNormal">Des. &ndash; A quest&atilde;o &eacute; <em>objetiva</em>, meu caro VP: a <em>forma&ccedil;&atilde;o</em> de alunos &eacute; <em>designadamente</em> voltada ao objeto formal do que se ensina e aprende: tenho <em>alunos</em> de Direito Penal, tenho <em>alunos</em> de Direito Constitucional, alunos a quem formo, pois, em Direito Penal e em Direito Constitucional, ainda que, <em>per accidens</em>, extraiam eles, &agrave; maneira de pressupostos inevit&aacute;veis, os tra&ccedil;os daquela mundivid&ecirc;ncia crist&atilde; e jusnaturalista-tradicional que abertamente professo. Aos <em>disc&iacute;pulos</em>, a eles, contudo, n&atilde;o trato, <em>principalmente</em>, de formar em disciplinas segmentares, mas, isto sim, de ensinar-lhes essa cosmovis&atilde;o: cultivo-os na forma&ccedil;&atilde;o jusnaturalista (a incluir o Direito, a Pol&iacute;tica e sobretudo a Moral) e, nomeadamente, metaf&iacute;sica (abrangendo a teologia racional). Esses, os disc&iacute;pulos, aprendem, <em>per accidens</em>, as disciplinas segmentares&hellip; Formo-os para formarem. Permita-me dizer-lhe de maneira vernacular impr&oacute;pria: quero que <em>tradicionalizem</em> o n&uacute;cleo do pensamento que albergo. Torno-os deposit&aacute;rios desse pensamento, de sorte que os conservem e entreguem &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras. J&aacute; estou velho, Senhor VP. N&atilde;o quero que as verdades que me ensinaram, sobretudo meus Mestres Jos&eacute; Pedro, Clovis e Fraga, meu Professor Alexandre Corr&ecirc;a, os livros que li, as medita&ccedil;&otilde;es que fiz, as noites n&atilde;o-dormidas, n&atilde;o quero que isso, enquanto me toca e me tocou, me acompanhe em funeral. &Eacute; doutrina viva, meu bom amigo VP, doutrina viva que precisa de gente viva e valorosa para preserv&aacute;-la, lutar por ela, aprofund&aacute;-la e ensin&aacute;-la. Entregando-lhes a doutrina, perseverarei em meus disc&iacute;pulos. Lembro-me de Jos&eacute; Pedro, de comum, todos os dias. E v&aacute;rias vezes por dia.</p>   <p class="MsoNormal">VP &ndash; Interessante. Interessante de fato. Resta-me agora um problema: como escolhe, como separa o joio do trigo antes de seu crescimento, como sabe quem vai ser aluno e quem vai ser disc&iacute;pulo?</p>    <p class="MsoNormal">&nbsp;</p>    <p class="MsoNormal">Des. &ndash; A escolha n&atilde;o &eacute; sem crit&eacute;rios, mas &eacute; guiada pela certeza de tend&ecirc;ncia. De toda a sorte, h&aacute; um mundo de circunst&acirc;ncias e de ulterioridades que n&atilde;o se controlam humanamente. Voltemos ao exemplo de Judas&hellip; N&atilde;o me parece poss&iacute;vel, por agora, esclarecer a integralidade de meus crit&eacute;rios para a elei&ccedil;&atilde;o que fa&ccedil;o. Digo-lhe, contudo, que come&ccedil;am pela aferi&ccedil;&atilde;o da lealdade. &Eacute; uma primeira separa&ccedil;&atilde;o&hellip;N&atilde;o se trata de uma escolha por simpatia: a simpatia, parece-me, &eacute; inclina&ccedil;&atilde;o axiologicamente cega. N&atilde;o escolho por outro g&ecirc;nero de afei&ccedil;&atilde;o, tampouco, embora n&atilde;o exclua o afeto que, de todo e com diversa intensidade, possa vincular-me aos disc&iacute;pulos:&iquest; o Modelo Infinito dos Mestres n&atilde;o amava, preferentemente, o disc&iacute;pulo Jo&atilde;o? Nem por isso f&ecirc;-lo Papa. A chave primeira &eacute; a lealdade, mas ela n&atilde;o abre porta alguma se n&atilde;o houver a m&atilde;o que a conduza, a fechadura que se v&aacute; abrir, a casa em que a doutrina se hospede: h&aacute; a disposi&ccedil;&atilde;o de ensinar, mas h&aacute; tamb&eacute;m o consentimento do disc&iacute;pulo que abriga a doutrina&hellip;</p>      <p class="MsoNormal"> <br /> (&Iacute;amos por certo adiante na conversa: ouviu-se, no entanto, a voz do comandante do v&ocirc;o: <em>&ldquo;Tripula&ccedil;&atilde;o de cabine, pouso autorizado&rdquo;</em>. N&atilde;o voltei ao assunto durante nossa visita &agrave; terra ga&uacute;cha).</p>]]></description><pubDate>Fri, 22 Sep 2006 12:49:00 +0000</pubDate></item><item><title>SOBRE A PAIX&#xC3;O OUTONAL: PRIMEIROS T&#xD3;PICOS</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092101-sobre-a-paixao-outonal-primeiros-topicos.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092101-sobre-a-paixao-outonal-primeiros-topicos.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal">1- <span>        </span>Fiquei de escrever alguma coisa sobre a dol&ecirc;ncia do amor outonal, movimento do apetite sensitivo daqueles que se encontram <em>nel mezzo del camin</em> e, s&uacute;bito, atra&iacute;dos <em>integralmente </em>por entes reais singulares amor&aacute;veis, s&atilde;o vocacionados &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o de seu bem o mais plen&aacute;rio poss&iacute;vel. A nota essencial desse amor &mdash;o fato de ser <em>outonal</em>&mdash; &eacute; a do meridiano et&aacute;rio do sujeito passivo que, de comum, por&eacute;m, renova-se com esse movimento, rejuvenesce-se &mdash;com todos os riscos adjetos desse regresso (ou, quando o lastim&aacute;vel caso, de um retorno)&mdash;, dando ensejo &agrave; figura da &ldquo;volta primaveril&rdquo;, a que n&atilde;o faltam, aqui e ali, os tra&ccedil;os da ris&iacute;vel despropor&ccedil;&atilde;o entre o suposto passional <em>maduro</em> e a atra&ccedil;&atilde;o amorosa com rasgos juvenis. Por isso, &eacute; freq&uuml;ente o cariz de pateticidade nessa dol&ecirc;ncia tardia. <span>N&atilde;o &eacute; raro atribuir-se essa paix&atilde;o (dita) intempestiva ao <em>dem&ocirc;nio do meridiano</em> &mdash;seja, como pensam alguns, simples refer&ecirc;ncia metaf&oacute;rica ao decl&iacute;nio das for&ccedil;as psicol&oacute;gicas e f&iacute;sicas dos homens de mais de 50 anos, seja, como pensam outros, uma indica&ccedil;&atilde;o de pessoa <em>espiritual</em> singular e pervertida logo ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o do universo. </span></p>     <p class="MsoNormal">2-<span>         </span>A vis&iacute;vel contempor&acirc;nea degrada&ccedil;&atilde;o do amor humano sugere-me, neste passo, para tentar melhor apreender o conceito da paix&atilde;o outonal, isentando-a de uma pejora&ccedil;&atilde;o <em>essencial</em> (: em suma, a meu ver, haver&aacute; boas e m&aacute;s paix&otilde;es outonais),<span>  </span><span> </span>regressar ao tema da Doutrina do Perfeito Amor, segundo, com minhas pobres for&ccedil;as, a recrutei em DANTE, investiguei-a na palpitante obra de AFONSO BOTELHO, pude instruir-me com os escritos de LUGONES e, sobretudo, aprofundar-me nas s&aacute;bias medita&ccedil;&otilde;es de RAM&Oacute;N LLUL. Quero dentro em seus lindes situar a paix&atilde;o outonal eticamente admiss&iacute;vel. </p>     <p class="MsoNormal">3-<span> </span>Conquanto, redundando sobre si pr&oacute;prio, o amor do <em>stil nuovo</em> nutra-se <em>tamb&eacute;m</em> da vontade que o move, ele se dirige ao cultivo honesto (<em>i.e.</em>, cort&ecirc;s) do ente amor&aacute;vel. Essa redund&acirc;ncia &iacute;ntima <em>n&atilde;o</em> o idealiza, porque ele converge a um ente <em>real</em>, cuja amorabilidade recolhe intensamente, de tal maneira que, embora o amante cort&ecirc;s seja sujeito de paix&atilde;o, <em>transcende-a</em> ao cultuar o ente amor&aacute;vel e real &mdash;um <em>alter</em>&mdash;, buscando-lhe todo o bem poss&iacute;vel. Her&oacute;ico, o amante do amor cort&ecirc;s cultiva a contin&ecirc;ncia como preserva&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio amor que, elevado, n&atilde;o admite nada que o rebaixe no plano espiritual. O que n&atilde;o implica recusar valor &agrave; fus&atilde;o dos sexos, remate maior do amor humano. Todavia, isto sim, reclama submeter essa fus&atilde;o, indispensavelmente, &agrave; inst&acirc;ncia &eacute;tica que conserva e exalta a espiritualidade do amor cort&ecirc;s. Por isso, o amor do <em>stil nuovo</em> s&oacute; pode ser amor entre homem e mulher. </p>     <p class="MsoNormal">4-<span>         </span>Amor, assim o disse, entre homem e mulher, reduplicativamente, enquanto tais, em sua inteireza de forma e de mat&eacute;ria (<em>scl.</em>, de alma espiritual e corpo). N&atilde;o se confundem, pois, de um lado, o <em>amor cort&ecirc;s</em> (ao modo da Doutrina do Perfeito Amor) e, de outro, o <em>amor fraternal</em> (ou ainda o filial, o paternal, o maternal), porque o amor fraterno &eacute; amor destitu&iacute;do, <em>por natureza</em>, de impulsos concupiscentes, &eacute; amor elevad&iacute;ssimo e pur&iacute;ssimo, n&atilde;o, por&eacute;m, amor entre homem (<em>homo qua homo</em>) e mulher (<em>mulier qua mulier</em>), mas de homem enquanto irm&atilde;o, de mulher enquanto m&atilde;e, de homem <em>ut</em> pai, de mulher <em>qua</em> filha etc. O amor do <em>stil nuovo</em>, pois, convive essencialmente com um estrato carnal, que exige a contin&ecirc;ncia her&oacute;ica, ou seja, a conten&ccedil;&atilde;o da cortesia nas fronteiras da honestidade exterior e interior (: perseverante retifica&ccedil;&atilde;o de inten&ccedil;&otilde;es). S&oacute; assim se entender&aacute; que seja um amor superior, o amor-tipo do <em>cavaleiro</em> <em>crist&atilde;o</em>: &ldquo;trovador da beleza &iacute;ntegra da mulher amada, a mulher, quase &agrave; espartana, <em>senhora da Cortesia</em>, que exige a pureza do hero&iacute;smo, a peleja pela justi&ccedil;a, em troca n&atilde;o mais do que um sorriso e uma sauda&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<em>apud</em> postagem abaixo, &ldquo;Cavaleiro e Trovador, Trovador e Cavaleiro&rdquo;).</p>     <p class="MsoNormal">5-<span>         </span>O amor idealista (: dito plat&ocirc;nico) &eacute; amor imanente, &eacute; uma fraude do amor, &eacute; mero amor do amor (<em>amor amoris</em>), n&atilde;o se reparte, &eacute; egoc&ecirc;ntrico, seu amor&aacute;vel &eacute; a &iacute;ntima satisfa&ccedil;&atilde;o do sujeito passivo, &eacute;, como eu disse em postagem precedente neste <em>blog</em>, &ldquo;uma recusa do pecado original concertada com a busca do Para&iacute;so perdido&rdquo;.</p><p class="MsoNormal">(Prosseguiremos, se DEUS quiser). </p>]]></description><pubDate>Thu, 21 Sep 2006 09:59:00 +0000</pubDate></item><item><title>PR&#xD3;XIMAS ATRA&#xC7;&#xD5;ES DESTE S&#xCD;TIO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/092001-proximas-atracoes-deste-sitio.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/092001-proximas-atracoes-deste-sitio.php</guid><description><![CDATA[<p>Informo aos meus insistentes leitores (eu, fosse eles, estaria lendo nosso GUSTAVO COR&Ccedil;&Atilde;O, tal o anda fazendo, com proveito, minha amiga espiritualmente imensa e fraternal&iacute;ssima FERNANDA***, ou meditando sobre algumas quest&otilde;es da <em>Suma</em>, em vez de eu perder tempo comigo pr&oacute;prio) que pretendo postar, nos pr&oacute;ximos dias, tr&ecirc;s mat&eacute;rias neste nosso quase inc&oacute;gnito s&iacute;tio eletr&ocirc;nico:</p><p>1- uma reportagem fotogr&aacute;fica sobre a aula do <em>Desembargador que v&oacute;s sabeis</em> na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade de Santa Cruz do Sul; os retratos, desta feita, n&atilde;o foram do invej&aacute;vel talento deste genial artista que &eacute; nosso bom amigo CARLOS <strong><em>ALBERTO</em></strong> PETELINKAR,  <em>El Papito</em>. Aguardo apenas, para a postagem, que a jurista de Passo Fundo, ADRIANA TEIXEIRA DE OLIVEIRA, por estes dias em Porto Alegre, volte a sua terra natal e de l&aacute; me remeta as fotos.</p><p>2- Uma incurs&atilde;o sobre o tema dos realismos filos&oacute;fico e jur&iacute;dico, a pedido (em particular) de nosso estimado amigo Engenheiro P***K***</p> <p class="MsoNormal">3- Um brev&iacute;ssimo excurso, suscitado por ilustre interpelante (igualmente, em particular) &agrave; frente de minha tratativa sobre LUGONES (cfr. abaixo), concernindo &agrave;s caracter&iacute;sticas da <em>paix&atilde;o outonal</em>, essa dol&ecirc;ncia que primaveriza cora&ccedil;&otilde;es meridianos. Interessa-me, sob manifesto influxo dantesco e lullista (: com perd&atilde;o: refiro-me a RAM&Oacute;N LLUL, por evidente), n&atilde;o s&oacute; assinalar alguns dos tra&ccedil;os capitais dessa tardo-paix&atilde;o amorosa (: p.ex., o regresso tardio &agrave; adolesc&ecirc;ncia, o sentimentalismo extempor&acirc;neo) mas, sobretudo, fronteirizar-lhe os lindes &eacute;ticos, cuja ultrapassagem perverte a dol&ecirc;ncia, paix&atilde;o que, de si pr&oacute;pria, &eacute; , <em>in abstracto</em>, indiferente na inst&acirc;ncia moral, e, em concreto, boa ou m&aacute; paix&atilde;o conforme seu objeto, a inten&ccedil;&atilde;o do agente e as circunst&acirc;ncias de seu entorno. <span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia; letter-spacing: 1pt"></span><span style="font-size: 14pt"></span></p><br />]]></description><pubDate>Wed, 20 Sep 2006 09:20:00 +0000</pubDate></item><item><title>O CAMPON&#xCA;S DO TIET&#xCA; EM VISITA AO TAQUARI</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/091701-o-campones-do-tiete-em-visita-ao-taquari.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/091701-o-campones-do-tiete-em-visita-ao-taquari.php</guid><description><![CDATA[<p>Acabo de voltar da Terra dos Farroupilhas, mais uma vez impressionado com o jeito hospital&aacute;rio daquela gente amiga que esteve a recepcionar-nos, em Lajeado e Santa Cruz do Sul, de maneira para l&aacute; de principesca. Fui ouvir em palestra aquele <em>Desembargador que v&oacute;s sabeis</em>, convidado ele pelo Professor LUIZ EGON RICHTER a doutrinar sobre Direito Registral Imobili&aacute;rio na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC: na foto acima, vista a&eacute;rea de seu cativante <em>campus</em>). </p><p>Mencionou-me o Desembargador seu contentamento com a vistosa ascens&atilde;o intelectual do Professor LUIZ EGON, em quem anota um pensamento ordenado e em segura trilha de evolu&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m relatou-me sua satisfa&ccedil;&atilde;o com o alunado jovem, atento, cort&ecirc;s e, o que muito lhe importa, em constante dedica&ccedil;&atilde;o ao aprofundamento de seus estudos. <br /> </p><p>* * * * *</p><p>A aula do Desembargador, demais do acercamento &agrave; Hermen&ecirc;utica Registral (tema de que vem tratando nos &uacute;ltimos tempos), indicou tr&ecirc;s pontos &agrave; considera&ccedil;&atilde;o da selet&iacute;ssima audi&ecirc;ncia:</p><p>1- a necessidade de, para remediar o grave problema da <strong>di&aacute;spora legislativa</strong> em mat&eacute;ria de registro predial, elaborar-se um <em>C&oacute;digo de Registro Imobili&aacute;rio Brasileiro</em>;</p><p>2- a oportunidade de rever (e, assim o pretende, retificar) o predominante significado normativo que a doutrina do registro de im&oacute;veis, no Brasil, concedeu &agrave; express&atilde;o "processo contencioso competente", no art. 204 da LRP, para nesse conceito incluir as decis&otilde;es jurisdicionais interlocut&oacute;rias (suposto que precludidas);</p><p>3- a conveni&ecirc;ncia de estabelecer, <em>pontualmente</em>, uma relaciona&ccedil;&atilde;o entre o quadro classificat&oacute;rio dos princ&iacute;pios registrais e a divis&atilde;o das inscri&ccedil;&otilde;es (constitutiva, declarativa e de mera not&iacute;cia), com o fim de flexibilizar, ante a diversa grada&ccedil;&atilde;o inscritiva, a incid&ecirc;ncia dos v&aacute;rios princ&iacute;pios hipotec&aacute;rios.</p><p> * * * * *</p><p>No dia 15, entre outros importantes encontros, almo&ccedil;amos agradavelmente, em Lajeado, com o nosso bom amigo e ilustre jurista ga&uacute;cho CARLOS FERNANDO WESTPHALEN SANTOS e o simp&aacute;tico registrador p&uacute;blico PAULO &Aacute;VILA, de Teot&ocirc;nia, e, &agrave; tarde, estivemos com o Professor JORGE RENATO DOS REIS, conceituado civilista, a Professora SANDRA REGINA MARTINI VIAL, estudiosa da Teoria dos Sistemas, o Professor CLOVIS GORCZEVKSI, doutor em Direito pela espanhola Universidade de Burgos e que se afirmou interessado nas medita&ccedil;&otilde;es jusnaturalistas, e o jurista RICARDO GUIMAR&Atilde;ES KOLLET, que recentemente escreveu interessante obra sobre as retifica&ccedil;&otilde;es no registro imobili&aacute;rio.  </p><p>Na manh&atilde; de s&aacute;bado, 16-9, na viagem de Lajeado a Porto Alegre, tivemos simpatiss&iacute;ma e proveitosa conversa com o Dr. LUIZ EGON e sua encantadora mulher, Professora THAIS, ela que est&aacute; a navegar nas &aacute;guas profundas da filosofia hermen&ecirc;utica. </p><p>Por fim, j&aacute; na capital, estivemos na companhia do em&eacute;rito intelectual paulista S&Eacute;RGIO JACOMINO, com quem, numa cafeteria do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, passamos quase um par de horas em interessant&iacute;ssima palestra, prenhe de id&eacute;ias e, digamos assim, mergulhados em "planos de metas" acad&ecirc;micas e editoriais.<br /> </p><p>Vejamos o que suceder&aacute; com esses projetos de estudo e publica&ccedil;&otilde;es. Esperemos que frutifiquem.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Sun, 17 Sep 2006 10:37:00 +0000</pubDate></item><item><title>Agradecendo ao Engenheiro P***K***, &#xE0; DENISE, &#xE0; ED e ao WILLIAN</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/091301-agradecendo-ao-engenheiro-p-k-a-denise-a-ed-e-ao-willian.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/091301-agradecendo-ao-engenheiro-p-k-a-denise-a-ed-e-ao-willian.php</guid><description><![CDATA[<p>Merc&ecirc; de constantes reclama&ccedil;&otilde;es de pouco mais de metade da generosa, costumeira e inultrapass&aacute;vel quantidade de <strong>meia d&uacute;zia</strong> de estimad&iacute;ssimos leitores deste <em>blog</em>,  escrevo para dizer que, por agora (ao menos por agora), <strong>fico</strong>. <em>Rectius</em>: "fico" na antiga e salutar&iacute;ssima acep&ccedil;&atilde;o de permanecer, estabilizar-me, estar (o quanto possa) sem tr&acirc;nsito etc. <br />  </p><p>Por l&aacute;stima e intenso sofrimento pessoal, contudo, tenho de acompanhar, em suas idas e vindas, aquele Desembargador que <em>v&oacute;s sabeis</em>. Fui faz pouco a Buenos Aires, agora devo ir-me a Porto Alegre, depois, a Florian&oacute;polis, mais adiante a Madrid, e ouvi-lo em umas tantas palestras (ah! mon&oacute;tona, &aacute;tona reitera&ccedil;&atilde;o de ser sombra de uma pobre vida alheia), como se n&atilde;o j&aacute; soubesse eu, de antem&atilde;o, cada palavra do que vai ele dizer. N&atilde;o digo que ele n&atilde;o diga exatamente aquilo que eu penso; isso n&atilde;o digo. Mas &eacute; demasiadamente rotineiro sempre saber antecipadamente o que ele falar&aacute;.&nbsp; Triste, merenc&oacute;rico , bem se v&ecirc;, este meu of&iacute;cio de sombrio ac&oacute;lito. </p><p>Mas v&aacute; l&aacute;. Aqui redigirei alguma coisa nos tempos vagos. Salvo meu &oacute;cio! Ainda que sejam pequenas notas, pequeninas at&eacute;, escreverei em homenagem &agrave; generosidade de meus seis leitores. Espero que hoje poste alguma nota sobre a obra do em&eacute;rito constitucionalista PIETRO GRASSO.<br /> </p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Wed, 13 Sep 2006 09:32:00 +0000</pubDate></item><item><title>Um milagre em Tzintzuntzan?</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/082501-um-milagre-em-tzintzuntzan-.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/082501-um-milagre-em-tzintzuntzan-.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span></span>Tzintzuntzan &eacute; uma pequena cidade situada na meseta tarasca, distante, no sentido do Norte, pouco menos de 400 quil&ocirc;metros da cidade do M&eacute;xico e de 60 quil&ocirc;metros de Mor&eacute;lia, capital do Estado de Michoac&aacute;n. &lsquo;Terra de colibris&rsquo; no idioma pur&eacute;pecha, Tzintzuntzan hoje abriga menos de tr&ecirc;s mil almas, cujo sangue nativo se conservou, mas outrora, ali &agrave;s margens do lago P&aacute;tzcuaro, viu florescer uma civiliza&ccedil;&atilde;o importante, de que d&atilde;o sinal portentoso imponentes conjuntos de pir&acirc;mides, um tanto destru&iacute;dos pelo tempo e pela inc&uacute;ria de gera&ccedil;&otilde;es sucessivas. Foi um antigo juiz, Vasco de Quiroga (1470-1565), que, nomeado primeiro bispo de Michoac&aacute;n, empossou-se<span>  </span>na diocese de Tzintzuntzan (1538), honrando-se com a profunda catequiza&ccedil;&atilde;o do antigo <em>pueblo</em>. Na parte externa da igreja local de Nuestro Se&ntilde;or del Rescate, qual se fora um nicho, construiu-se um altar: os pur&eacute;pechas criam que n&atilde;o se podia travar contacto com o sobrenatural se um teto lhes estivesse sobre a cabe&ccedil;a. A cruz atrial do lugar, obra dos nativos do s&eacute;culo XVI, desvela s&iacute;mbolos que, &agrave; primeira vista, lembram um totem. Em vez de abolir as equivocadas pr&aacute;ticas pag&atilde;s, o bispo Quiroga retificara-as, e o povo pur&eacute;pecha passou a cultuar o Deus verdadeiro e &uacute;nico, primeiro nas Missas celebradas do lado exterior da igreja, depois na venera&ccedil;&atilde;o dessa cruz atrial, vic&aacute;ria indefinidamente superior de sua supersti&ccedil;&atilde;o tot&ecirc;mica.</p>     <p class="MsoNormal"><span></span>Foi aos p&eacute;s de Nosso Senhor do Resgate que, faz s&eacute;culos, se impetrou a cura de uma epidemia de peste que estava a dizimar o povo pur&eacute;pecha. O fim da pestil&ecirc;ncia &mdash;relata-o a tradi&ccedil;&atilde;o daquela gente&mdash; foi um milagre de Deus. Ali tamb&eacute;m, em Michoac&aacute;n, a exemplo dos Estados de Jalisco, Guanajuato, Quer&eacute;taro e Zacatecas, muito correu o sangue dos <em>cristeros</em>, her&oacute;is da P&aacute;tria mexicana e m&aacute;rtires da F&eacute;, resistindo &agrave; violenta intoler&acirc;ncia com que, sob a capa surrada da ideologia da &lsquo;ilustra&ccedil;&atilde;o&rsquo; e do &lsquo;liberalismo&rsquo;, impunham os jacobinos a expuls&atilde;o e pris&atilde;o de bispos, padres e religiosos, a proibi&ccedil;&atilde;o do culto, a clausura de escolas religiosas e o confisco de propriedades eclesi&aacute;sticas. Foi aos gritos de <em>&iexcl;Viva Cristo rey y la Virgen de Guadalupe!</em> que aquela gente forte e cristian&iacute;ssima do M&eacute;xico, sob a lideran&ccedil;a, entre outros, de Ren&eacute; Capistran Garza, Humberto Navarrete e Manuel Bonilla,<span>  </span>enfrentou a morte injusta que ceifou, m&aacute;rtires da F&eacute;, her&oacute;is da P&aacute;tria, homens&nbsp; da t&ecirc;mpera de Crist&oacute;bal de Magallanes Jara, Agust&iacute;n de Caloca Cortes, Jos&eacute; Mar&iacute;a Robles Hurtado, David Galv&aacute;n, Toribio Romo Gonz&aacute;lez, David Rold&aacute;n Lara, Salvador Lara Puente, David Uribe Velazco, Pedro de Jes&uacute;s Maldonado Lucero e Miguel de la Mora &mdash;canonizados todos, em 21 de maio de 2000, por Jo&atilde;o Paulo II. Tamb&eacute;m entre eles se conta o nome de S.Bernab&eacute; de Jes&uacute;s M&eacute;ndez Montoya (1880-1928), o primeiro santo michoacano: as for&ccedil;as estatais localizaram o Padre Bernab&eacute;, e sua ocupa&ccedil;&atilde;o, naquele momento crucial, foi a de, piedosamente, salvar h&oacute;stias consagradas, que tratou de consumir para evitar profana&ccedil;&otilde;es. Feito isso, dirigiu-se ele a uma de suas irm&atilde;s, a quem sentenciou com heroicidade santa: <em>&ldquo;Es la voluntad de Dios. </em><em><span>Que se haga su voluntad</span></em><span>&rdquo;. </span>Mataram-no ent&atilde;o com tr&ecirc;s tiros, a esse her&oacute;i e m&aacute;rtir da <em>crist&iacute;ada</em>, mataram-no com impiedade e injusti&ccedil;a exatamente aqueles que se diziam defensores da toler&acirc;ncia.</p>     <p class="MsoNormal"><span></span>O padre Serafim Gonzalez, Vig&aacute;rio local,<span> </span>discretamente, n&atilde;o me confirmou a origem sobrenatural do <em>&lsquo;Cristo que cresce&rsquo;</em>.<span>  </span>&Eacute; verdade que, de modo expresso, n&atilde;o a excluiu como poss&iacute;vel. &Eacute; verdade que, ao mesmo tempo, aludiu a numerosos milagres no entorno da venera&ccedil;&atilde;o a essa figura de <em>Jesus Cristo morto</em>, guardada no <em>Templo de la Soledad</em>, edifica&ccedil;&atilde;o vizinha &agrave; da igreja de <em>Nuestro Se&ntilde;or del Rescate</em>. &Eacute; uma est&aacute;tua do s&eacute;culo XVI, feita com massa de haste de milho. Conserva-se, exposta &agrave; visita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, numa urna de madeira e de vidro. Dali sempre se retira, uma vez ao ano, tradicionalmente, s&eacute;culos a fio, para a prociss&atilde;o da Sexta-Feira da Paix&atilde;o. Prega-se ent&atilde;o numa cruz: os ombros da figura foram articulados para permitir a extens&atilde;o lateral dos bra&ccedil;os. A partir de 1993, contudo, come&ccedil;ou a produzir-se um <em>fato extraordin&aacute;rio</em>: aquela figura de milho p&ocirc;s-se a crescer, a ponto de provocar a ruptura do cristal de vidro da urna em que, deitada, a encerram permanentemente. Ter&aacute; crescido mais de 30 cent&iacute;metros, talvez mesmo cerca de meio metro. Sua cabe&ccedil;a j&aacute; n&atilde;o pode manter-se encostada no fundo da urna. Construiu-se um anexo para os p&eacute;s &mdash;medi com meus pr&oacute;prios palmos esse anexo que supera os 45 cent&iacute;metros. Olhei o quanto pude qual com os propositados olhos do ap&oacute;stolo S. Tom&eacute;.</p>     <p class="MsoNormal"><span></span>Mas como &eacute; isso? Por qual virtude a est&aacute;tua se p&ocirc;s a crescer depois de mais de 400 anos de estabilidade corp&oacute;rea? O padre Gonzalez, prudentemente, registrou que o grande milagre &eacute; a vinda cont&iacute;nua de fi&eacute;is &agrave; pequena Tzintzuntzan, &eacute; a anima&ccedil;&atilde;o fervorosa das almas do lugar, os guardi&otilde;es do <em>Templo de la Soledad</em>. Mas n&atilde;o sabe, nem pode explicar por que a est&aacute;tua cresceu t&atilde;o harmonicamente: as pernas, ambas, os p&eacute;s, os dois, de maneira ordenada, guardando propor&ccedil;&atilde;o com o crescimento do restante da massa corp&oacute;rea. A figura resultante n&atilde;o &eacute; a de um Cristo surrealista, modernista, mas a de um Cristo gigantesco, de mais de dois metros de altura, cujos tra&ccedil;os percept&iacute;veis s&atilde;o os de uma figura fisicamente harmoniosa, sofrida embora com a Paix&atilde;o.</p>     <p class="MsoNormal"><span></span>N&atilde;o sei eu dizer &mdash;quem &eacute; um pobre campon&ecirc;s para julgar mais largamente do que seus cal&ccedil;ados?&mdash; se a figura do <em>&lsquo;Cristo que cresce&rsquo; </em>cresce por a&ccedil;&atilde;o natural, preternatural ou sobrenatural. Testemunhas dignas relataram-me o crescimento. Sinais exteriores o indiciam. E que o resultado &eacute; harmonioso, proporcional, isto o digo eu porque o vi, e o vi, como disse, com prudentes olhos de S.Tom&eacute;. Trouxe comigo um escapul&aacute;rio, presente do Padre Gonzalez &mdash;a quem agradeci com uma Ave-Maria&mdash;, e bebi meia caneca da &aacute;gua benta que se guarda em moringas postas aos p&eacute;s do <em>Cristo de milho</em>. </p>]]></description><pubDate>Fri, 25 Aug 2006 20:25:00 +0000</pubDate></item><item><title>Um equ&#xED;voco na interpreta&#xE7;&#xE3;o gestual</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/082302-um-equivoco-na-interpretacao-gestual.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/082302-um-equivoco-na-interpretacao-gestual.php</guid><description><![CDATA[<p class="MsoNormal">A interpreta&ccedil;&atilde;o <em>jur&iacute;dica</em> &mdash;eminentemente <em>pr&aacute;tica</em>&mdash; <strong>n&atilde;o </strong>se limita a textos escritos. H&aacute; normas que se extraem de s&iacute;mbolos orais (ex.: as ordens judici&aacute;rias em uma sess&atilde;o do Tribunal), f&ocirc;nicos (<em>v.g.</em>, os apitos de um guarda de tr&acirc;nsito), iconogr&aacute;ficos (assim, as placas), luminosos (no sem&aacute;foro, ou nas emiss&otilde;es comunicativas entre navios etc.). </p>     <p class="MsoNormal">H&aacute; tamb&eacute;m normas aferidas de gestos. SANTIAGO NINO refere-se, por exemplo, &agrave; norma que o pai ensina ao filho que h&aacute; de depor o chap&eacute;u ao ingressar nas igrejas.</p>     <p class="MsoNormal">A extra&ccedil;&atilde;o da norma objeto de gestos apresenta problemas interessantes de interpreta&ccedil;&atilde;o. Dou-lhes disso um exemplo sobre o qual tive a ocasi&atilde;o de meditar em quadro mais amplo.</p>     <p class="MsoNormal">De comum, outrora, antes do tergiversante Conc&iacute;lio pastoral Vaticano II, o sacr&aacute;rio costumava situar-se no centro do altar, ponto natural de converg&ecirc;ncia das aten&ccedil;&otilde;es sens&oacute;rias. Instalada a crise por que ainda passa atualmente a Igreja Cat&oacute;lica (: a militante, <em>nota bene</em>) &mdash;crise que seus pr&oacute;prios Papas vez por outra reconhecem&mdash;, muitas igrejas passaram a ubiquar o tabern&aacute;culo em s&iacute;tios laterais. At&eacute; a&iacute;, assunto primacial de arquitetura de interiores (mas, convenhamos, tamb&eacute;m, <em>quodammodo</em>, envolvendo quest&otilde;es de F&eacute; &mdash;que n&atilde;o deixam<span>&nbsp; </span>de ser assunto de arquitetura de interiores&hellip;; ou seja, n&atilde;o se trata j&aacute; do aforismo <em>lex orandi, lex credendi</em>, mas deste outro: <em>lex ponendi, lex credendi</em>).</p>     <p class="MsoNormal">Era tamb&eacute;m comum, outrora, que os cat&oacute;licos, com rever&ecirc;ncia, nas igrejas, genuflectissem no sentido do sacr&aacute;rio, em testemunho e homenagem ao objeto de sua F&eacute; na Presen&ccedil;a Real de JESUS CRISTO. Com a desloca&ccedil;&atilde;o arquitet&ocirc;nica do sacr&aacute;rio, em tantos casos, para lugares laterais das igrejas, coisa curiosa se v&ecirc;: alguns cat&oacute;licos continuam a ajoelhar-se na dire&ccedil;&atilde;o do centro do altar, onde <em>antes</em> era dominante a localiza&ccedil;&atilde;o do relic&aacute;rio. </p>     <p class="MsoNormal">Assim, a norma apreendida por esses cat&oacute;licos n&atilde;o foi a da genuflex&atilde;o reverente ao Cristo em Presen&ccedil;a Sacramentada, mas, isto sim, a de genuflectir para o (centro do) altar. J&aacute; tive ocasi&atilde;o de, numa igreja em A***, permanecer largo tempo a verificar a freq&uuml;ente pr&aacute;tica de uma genuflex&atilde;o para o altar vazio, ao passo em que os saudadores n&atilde;o reverenciavam o sacr&aacute;rio situado perifericamente.</p>     <p class="MsoNormal">N&atilde;o surpreende, diante desse equ&iacute;voco interpretativo, cada vez mais comumente, ver cat&oacute;licos que permanecem sentados &mdash;mulheres, jovens, crian&ccedil;as e homens feitos, estes (com perd&atilde;o!) tomando ares de matronas desanimadas&mdash; durante a reparti&ccedil;&atilde;o da Sagrada Forma. &Eacute; de recear que, para eles, a Presen&ccedil;a Eucar&iacute;stica n&atilde;o pare&ccedil;a mais do que uma simples presen&ccedil;a espiritual, ou figurada, metaf&oacute;rica, compar&aacute;vel, assim o disse ROMANO AMERIO, &agrave; presen&ccedil;a de Beethoven em uma de suas sonatas.</p>]]></description><pubDate>Wed, 23 Aug 2006 21:03:00 +0000</pubDate></item><item><title>A Hermen&#xEA;utica: a amplitude de seu objeto</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/082101-a-hermeneutica-a-amplitude-de-seu-objeto.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/082101-a-hermeneutica-a-amplitude-de-seu-objeto.php</guid><description><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p>(Est&aacute;tua de IBN H&#39;AZM, em Sevilha, Espanha) </p><p>&nbsp;</p><p>Ressalvadas as fronteiras do que excede a capacidade intelectiva dos homens (refiro-me aos saberes inapreens&iacute;veis e os irraciocinados por superioridade; p.ex.: DEUS e os Mist&eacute;rios da F&eacute;, que, nesta vida, se conhecem, anal&oacute;gica e imperfeitamente: como se estivessem sob um v&eacute;u), tudo o mais do universo &eacute; amplamente suscet&iacute;vel de um <em>progressivo</em> e direto conhecimento humano. &Eacute; f&aacute;cil ver que a amplid&atilde;o do objeto desse conhecimento <strong>n&atilde;o</strong> corresponde ao somat&oacute;rio dos segmentos aut&ocirc;nomos (&eacute; um tanto impr&oacute;prio falar a&iacute; em autonomia) das v&aacute;rias Hermen&ecirc;uticas institu&iacute;das. Mas pode pensar-se em uma ampl&iacute;ssima Hermen&ecirc;utica geral. N&atilde;o s&oacute; muito extensa sen&atilde;o que tamb&eacute;m antiga.</p><p>Tomem, por ilustra&ccedil;&atilde;o, o excerto seq&uuml;ente, extra&iacute;do de <em>O colar da pomba: tratado sobre o amor e os amantes</em> (<em>Tawq al-Hamama</em>), do cordob&ecirc;s isl&acirc;mico IBN H&#39;AZM (994-1063 ou 1064). Vejam que se trata de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre sinais, os sinais do amor:</p><p>"O amor tem sinais que o homem arguto busca e que um observador inteligente pode desvelar.</p><p>O primeiro desses sinais &eacute; a insist&ecirc;ncia do olhar, porque os olhos s&atilde;o a grande porta da alma, que permite ver-lhe o interior, revelando-lhe a intimidade e acusando-lhe os segredos.</p><p>Ver&aacute;s, desse modo, que o amante, quando olha, n&atilde;o pisca; move seu olhar aonde se move o ente amado, aparta-se aonde ele se aparta, inclina-se aonde ele se inclina...".</p><p>O texto (at&eacute; a&iacute;, uma sugest&atilde;o inaugural de ci&ecirc;ncia e arte da interpreta&ccedil;&atilde;o de olhares), poderia ser um ponto de partida para uma heur&iacute;stica do amor. &Eacute; interessante relacion&aacute;-lo com o <em>stil nuovo</em> de DANTE e com o RAMON LLUL de <em>Blanquerna</em> e do <em>Llibre de Amic e Amat</em>. </p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Mon, 21 Aug 2006 09:34:00 +0000</pubDate></item><item><title>Para uma hermen&#xEA;utica realista</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/081801-para-uma-hermeneutica-realista.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/081801-para-uma-hermeneutica-realista.php</guid><description><![CDATA[<p>Ainda, os cultores e executores do Direito, estamos a saldar o tr&aacute;gico pre&ccedil;o do <em>irracionalismo normativista</em>. Persiste, malgrado a fulmina&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos supostos ideol&oacute;gicos de KELSEN, o fasc&iacute;nio reducionista de a hermen&ecirc;utica ser uma arte de "interpreta&ccedil;&atilde;o das leis". N&atilde;o parece muito vis&iacute;vel a afirma&ccedil;&atilde;o de um <em>mundo real</em> que interesse aos juristas, ocupados de adivinhar as letrinhas de seu mundo encarcerado. Sucumbem muitos ao drama de acolher, quanta vez sem consci&ecirc;ncia disto, que &eacute; um pressuposto ideol&oacute;gico (o do normativismo de Kelsen) o obst&aacute;culo &agrave; aferi&ccedil;&atilde;o dos pressupostos ideol&oacute;gicos dos diferentes sistemas e m&eacute;todos do Direito. O discurso kelseniano, irracionalista, &eacute; um discurso de clausura de todos os discursos adversos.</p><p>Redescobri um texto de AFONSO BOTELHO. J&aacute; o reinventei &agrave;s dezenas. Est&aacute; em seu <em>Teoria do Amor e da Morte</em>. Diz BOTELHO:</p><p><em>"N&atilde;o nos admiremos (...) que o Amor se degrade e se anule t&atilde;o facilmente entre os homens, nem nos escandalizemos se essa anula&ccedil;&atilde;o estiver prevista, regulada e promovida na constitui&ccedil;&atilde;o dos povos". </em>(Abro aqui um par&ecirc;ntese para juntar um excerto seq&uuml;ente desse autor, ao afirmar, com maestria: "desde que o homem &eacute; homem ... a mulher sua justifica&ccedil;&atilde;o de amar").<em><br /></em></p><p>Texto admir&aacute;vel! Pode, efetivamente, dar-se que leis <em>aparentes</em> degradem a realidade, confrontem o amor dos homens, maltratem o amor de DEUS. N&atilde;o ser&atilde;o verdadeiras leis, antes corrup&ccedil;&atilde;o delas. N&atilde;o importa que estejam grafadas nas constitui&ccedil;&otilde;es. Elas passam, DEUS, bem o advertiu um pol&iacute;tico hisp&acirc;nico, DEUS n&atilde;o morre.</p><p>A verdadeira hermen&ecirc;utica &eacute; ci&ecirc;ncia e arte de interpretar a inteira realidade. &Eacute; ci&ecirc;ncia e arte de desvelar "o ser encanto ser" (nas palavras de AFONSO BOTELHO), num movimento ingressivo no <em>mysterium</em> de cada ser. Inventa-se o<em> nomen</em>, desvenda-se o sinal, para ingressar no <em>numen</em> &iacute;ntimo das coisas. Ir ao ser, apreender a realidade: esse &eacute; o n&uacute;cleo de uma hermen&ecirc;utica realista. </p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Fri, 18 Aug 2006 03:44:00 +0000</pubDate></item><item><title>LUIZ TENAGLIA EM S&#xC3;O PAULO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/080601-luiz-tenaglia-em-sao-paulo.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/080601-luiz-tenaglia-em-sao-paulo.php</guid><description><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>O "Theatro S&atilde;o Pedro", na Rua Barra Funda, em S&atilde;o Paulo, teve hoje, 6 de agosto de 2006, um dia musical superlativo. Ali esteve o tenor brasileiro, que ora anda a viver na Su&eacute;cia, <strong>LUIZ TENAGLIA</strong> (na foto acima, de 1985, em Kaiserslautern). Com o piano de FERNANDO TOMIMURA, Luiz interpretou inicialmente cinco melodias populares gregas, de RAVEL, uma pe&ccedil;a melanc&oacute;lica do cancioneiro sueco (<em>Tonerma</em>, de SJ&Ouml;BERG), duas obras de MENDELSSONH e outras duas de SCHUBERT. Ao fim, depois de uma feliz conjun&ccedil;&atilde;o dos pianistas TOMIMURA e SAID TUMA, concertando, em quatro m&atilde;os, as <em>Tr&ecirc;s Dan&ccedil;as Eslavas </em>de DVORAK, com eles voltou LUIZ TENAGLIA ao palco, desta feita, na companhia de ELAYNE CASEHR (soprano), a carioca ADRIANA CLYS (<em>mezzo</em>-soprano), CARLOS EDUARDO BASTOS (baixo) e o Coral Jovem do Estado, para, sob a reg&ecirc;ncia precisa e simp&aacute;tica de NAOMI MUNAKATA, desfiar 18 valsas de BRAHMS (<em>Liebeslieder</em>).</p><p> </p><p>LUIZ TENAGLIA &eacute; um dos maiores tenores brasileiros de todos os tempos, sen&atilde;o o melhor tenor de nossa Hist&oacute;ria. Provavelmente, est&aacute; em seu superior est&aacute;dio, conjugando uma t&eacute;cnica vocal impec&aacute;vel (isso ele sempre demonstrou ao largo de sua carreira) a um excelente dom&iacute;nio c&ecirc;nico.</p><p> </p><p>Torna ele a apresentar-se entre n&oacute;s no curso do m&ecirc;s de agosto. &Eacute; audi&ccedil;&atilde;o imperd&iacute;vel. Este <em>blog</em> indicar&aacute;, oportunamente, locais e datas.</p><p>&nbsp;</p><p>(Pequena refer&ecirc;ncia biogr&aacute;fica: nascido em maio de 1956, na cidade de S&atilde;o Paulo, LUIZ TENAGLIA, que muito jovem integrou o CORALUSP, ent&atilde;o regido pelo Maestro BENITO JUAREZ, iniciou seus estudos de canto com o Maestro MARCEL KLASS. J&aacute; na Alemanha, estudou na Escola Superior de M&uacute;sica de Munique, na classe do Professor HANNO BLASCHKE e do tenor ERNST HAEFLIGER. Apresentou-se freq&uuml;entemente na Europa com, entre outros, a English Chamber Orchestra, a Sinf&ocirc;nica de D&uuml;sseldorf, a Orquestra de C&acirc;mara de Karlsruhe, o Collegium Musicum Bonn e a Filarm&ocirc;nica de Munique. Destacam-se suas participa&ccedil;&otilde;es em <em>Il Barbiere</em>, de ROSSINI, 1984; <em>Cosi fan tutte</em>, de MOZART, 1986;  <em>Il Turco in Italia</em>, de ROSSINI, 1987;  <em>Die Zauberfl&ouml;tte</em>, de MOZART, 1988; <em>La Cenenterola</em>, de ROSSINI, 1992;  <em>Don Giovanni</em>, de MOZART, 1999. Mais indica&ccedil;&otilde;es em <strong>http://www.tenaglia.se</strong>).</p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Sun, 06 Aug 2006 20:08:00 +0000</pubDate></item><item><title>O AMOR DO STIL NUOVO E O EROS PLAT&#xD4;NICO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/080401-o-amor-do-stil-nuovo-e-o-eros-platonico.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/080401-o-amor-do-stil-nuovo-e-o-eros-platonico.php</guid><description><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p>N&atilde;o se nega a presen&ccedil;a de <em>perigos</em> (e LUGONES, ao rev&eacute;s, chega positivamente a referi-los como <em>"pecaminosos riesgos"</em>) no amor cort&ecirc;s da <em>Vita Nuova</em>, o que n&atilde;o levou a Igreja, entretanto, a condenar a Doutrina do Perfeito Amor, sabiamente avistando a conveni&ecirc;ncia da cortesia desse amor com a honestidade de sua express&atilde;o. Os riscos, sem embargo, s&atilde;o irrefut&aacute;veis, e a biografia de LUGONES d&aacute;-nos, a prop&oacute;sito, um gr&aacute;fico exemplo. Uma inquisitiva autora contempor&acirc;nea viu no amor cort&ecirc;s um forma de <em>"adult&eacute;rio potencial"</em>. Cr&iacute;tica perfeitamente dispens&aacute;vel: onde j&aacute; n&atilde;o haveria esse risco de passagem da pot&ecirc;ncia ao ato pecaminoso do homem p&oacute;s-ad&acirc;mico?</p><p>Mais interpelante, contudo, &eacute; o acercamento entre o amor da <em>Vita Nuova</em> e o amor plat&ocirc;nico. <br />   </p><p>Deixando de lado a circunst&acirc;ncia de que, na linguagem vulgar, a express&atilde;o "amor plat&ocirc;nico" abrange uma amplitude de significados impr&oacute;prios (: amor distante, amor espiritual, amor rom&acirc;ntico etc.), devemos assinalar a clave do <em>eros plat&ocirc;nico</em> na iman&ecirc;ncia de um amor curvado sobre si pr&oacute;prio, o puro desejo sem objeto, a apet&ecirc;ncia idealista da reconquista da Bondade pret&eacute;rita. Vale dizer, o amor plat&ocirc;nico &eacute; uma esp&eacute;cie de amor do amor, que ascende sem repartir-se. &Eacute; uma recusa do pecado original concertada com a busca do Para&iacute;so perdido. De maneira diversa, o amor do <em>stil nuovo</em> &eacute; transcendente, dirige-se a outro, cujos dons busca apreender e fomentar; descende, reparte-se; seu objeto n&atilde;o &eacute; o pr&oacute;prio amor mas o bem do amado. Por isso, o amor da Doutrina &eacute; construtivo: a mulher civiliza. O amor plat&ocirc;nico, est&eacute;ril, um amor <em>"qui se d&eacute;vore lui-m&ecirc;me, apparent&eacute; &agrave; la mort"</em> (ETIENNE COUVERT, no imperd&iacute;vel <em>La gnose contre la foi</em>, Chir&eacute; enMontreuil, ed. de Chir&eacute;, 1989, tomo II).</p><p>O que n&atilde;o h&aacute;, no amor do <em>dolce stil</em>, &eacute; o decaimento do amor na esfera reduzida do <em>sexo</em>, a que o amor, na ideologia freudiana, se viu tragicamente resumido.</p><p>VIKTOR FRANKL compendiou muito acertadamente: "Normalmente o sexo &eacute; uma forma de express&atilde;o do amor. O sexo est&aacute; justificado, at&eacute; mesmo santificado, na medida em que &eacute; ve&iacute;culo do amor, e s&oacute; nessa medida. Assim, o amor n&atilde;o se entende como um simples efeito secund&aacute;rio do sexo, sen&atilde;o que o sexo se considera um meio para expressar a experi&ecirc;ncia dessa fus&atilde;o absoluta e definitiva que &eacute; o amor".</p><p>Se o amor da <em>Vita Nuova</em> dantesco ou da concep&ccedil;&atilde;o lulliana exige os estados her&oacute;icos da contin&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; porque haja recusa da vida ou da reparti&ccedil;&atilde;o de dons, mas exatamente porque, e na medida em que, na variada grada&ccedil;&atilde;o dos amores h&aacute;, em tantos casos, o impedimento moral de uma express&atilde;o sexual. Ou isso ou j&aacute; n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel pensarmos em coisas t&atilde;o em&eacute;ritas qual o amor dos pais por seus filhos, dos filhos por seus pais, o amor entre os amigos, at&eacute; mesmo (em grau de indefinida eleva&ccedil;&atilde;o) o culto de hiperdulia mariana.</p><p>&Eacute; que sempre haveria um freudista de plant&atilde;o a dizer-nos que esses amores n&atilde;o passariam de sublima&ccedil;&atilde;o de impulsos e instintos sexuais...  </p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Fri, 04 Aug 2006 09:56:00 +0000</pubDate></item><item><title>CAVALEIRO E TROVADOR, TROVADOR E CAVALEIRO</title><link>https://blogdovp.blogia.com/2006/080301-cavaleiro-e-trovador-trovador-e-cavaleiro.php</link><guid isPermaLink="true">https://blogdovp.blogia.com/2006/080301-cavaleiro-e-trovador-trovador-e-cavaleiro.php</guid><description><![CDATA[<p>       </p><p> <em>     Las </em><em>Cantigas de Santa Mar&iacute;a</em>, do Rei ALFONSO, EL SABIO  </p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> <p class="MsoNormal">LUGONES destaca no texto da <em>Vita Nuova</em> de DANTE uma impressiva nota do hero&iacute;smo exigido do cavaleiro. &Eacute; que no d&eacute;cimo-nono par&aacute;grafo da <em>Vita</em>, DANTE disse que os olhos s&atilde;o o princ&iacute;pio, e a boca, o fim (meta) do amor: <em>"&hellip;deli occhi, li quale sono principio d&rsquo;amore; &hellip;la bocca, laquale &egrave; fine d&rsquo;amore"</em>. Todavia, observou LUGONES, nesse <em>"m&aacute;ximo poema de amor (&hellip;) no hay en &eacute;l un beso siquiera"</em>.</p> <p class="MsoNormal">Esse hero&iacute;smo do cavaleiro que venera (quase cultua) a mulher amada, qual, no helenismo ateniense, se reverenciava a deusa Atena, e que, no cristianismo, chegar&aacute; ao &aacute;pice do culto mariano, remata numa exalta&ccedil;&atilde;o de ilimitada generosidade, a reabilita&ccedil;&atilde;o da mulher, que passa a ocupar o papel impulsionador da Cavalaria, da cristian&iacute;ssima Cavalaria. <em>"A Cavalaria</em>, diz LUGONES,  <em>foi uma das formas eminentes de (&hellip;) colabora&ccedil;&atilde;o com Deus"</em>, porque, na concep&ccedil;&atilde;o lugoniana, o hero&iacute;smo, o amor e a generosidade s&atilde;o express&otilde;es, de modo respectivo, das virtudes teologias da f&eacute;, da esperan&ccedil;a e da caridade. Por isso, concertadas entre si, essas virtudes concedem &agrave; mulher do <em>stil nuovo</em><em>"es la mujer quien civiliza"</em>. um em&eacute;rito papel gerador: </p> <p class="MsoNormal">O cavaleiro n&atilde;o &eacute; s&oacute; cruzado. &Eacute; trovador: a Cavalaria, esse prod&iacute;gio da Cristandade, &eacute; tamb&eacute;m realiza&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica. Trovar &eacute; encontrar. Encontrar o Amor Perfeito, o estado m&iacute;stico desse amor pr&oacute;prio de her&oacute;is. N&atilde;o &eacute; por menos, dir&aacute; LUGONES, que, grandes homens do s&eacute;culo XIII, <em>"supremo en su esplendor"</em>, foram tamb&eacute;m grandes poetas: assim, Inoc&ecirc;ncio III, Alfonso o S&aacute;bio, S.Francisco de Assis e S.Tom&aacute;s de Aquino. O trovador &eacute; o cavaleiro do ideal civilizador da Cristandade. O cavaleiro &eacute; o trovador da beleza &iacute;ntegra da mulher amada, a mulher, quase &agrave; espartana, <em>senhora da Cortesia</em>, que exige a pureza do hero&iacute;smo, a peleja pela justi&ccedil;a, em troca n&atilde;o mais do que um sorriso e uma sauda&ccedil;&atilde;o (<em>la bocca &egrave; fine d&#39;amore</em>). </p> <p class="MsoNormal">&nbsp;</p>  <p class="MsoNormal">&nbsp;</p>  <p class="MsoNormal">&nbsp;</p>  <p>&nbsp;</p>]]></description><pubDate>Thu, 03 Aug 2006 09:26:00 +0000</pubDate></item></channel></rss>
