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O BLOG DO V-P
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Um milagre em Tzintzuntzan?

Tzintzuntzan é uma pequena cidade situada na meseta tarasca, distante, no sentido do Norte, pouco menos de 400 quilômetros da cidade do México e de 60 quilômetros de Morélia, capital do Estado de Michoacán. ‘Terra de colibris’ no idioma purépecha, Tzintzuntzan hoje abriga menos de três mil almas, cujo sangue nativo se conservou, mas outrora, ali às margens do lago Pátzcuaro, viu florescer uma civilização importante, de que dão sinal portentoso imponentes conjuntos de pirâmides, um tanto destruídos pelo tempo e pela incúria de gerações sucessivas. Foi um antigo juiz, Vasco de Quiroga (1470-1565), que, nomeado primeiro bispo de Michoacán, empossou-se na diocese de Tzintzuntzan (1538), honrando-se com a profunda catequização do antigo pueblo. Na parte externa da igreja local de Nuestro Señor del Rescate, qual se fora um nicho, construiu-se um altar: os purépechas criam que não se podia travar contacto com o sobrenatural se um teto lhes estivesse sobre a cabeça. A cruz atrial do lugar, obra dos nativos do século XVI, desvela símbolos que, à primeira vista, lembram um totem. Em vez de abolir as equivocadas práticas pagãs, o bispo Quiroga retificara-as, e o povo purépecha passou a cultuar o Deus verdadeiro e único, primeiro nas Missas celebradas do lado exterior da igreja, depois na veneração dessa cruz atrial, vicária indefinidamente superior de sua superstição totêmica.

Foi aos pés de Nosso Senhor do Resgate que, faz séculos, se impetrou a cura de uma epidemia de peste que estava a dizimar o povo purépecha. O fim da pestilência —relata-o a tradição daquela gente— foi um milagre de Deus. Ali também, em Michoacán, a exemplo dos Estados de Jalisco, Guanajuato, Querétaro e Zacatecas, muito correu o sangue dos cristeros, heróis da Pátria mexicana e mártires da Fé, resistindo à violenta intolerância com que, sob a capa surrada da ideologia da ‘ilustração’ e do ‘liberalismo’, impunham os jacobinos a expulsão e prisão de bispos, padres e religiosos, a proibição do culto, a clausura de escolas religiosas e o confisco de propriedades eclesiásticas. Foi aos gritos de ¡Viva Cristo rey y la Virgen de Guadalupe! que aquela gente forte e cristianíssima do México, sob a liderança, entre outros, de René Capistran Garza, Humberto Navarrete e Manuel Bonilla, enfrentou a morte injusta que ceifou, mártires da Fé, heróis da Pátria, homens  da têmpera de Cristóbal de Magallanes Jara, Agustín de Caloca Cortes, José María Robles Hurtado, David Galván, Toribio Romo González, David Roldán Lara, Salvador Lara Puente, David Uribe Velazco, Pedro de Jesús Maldonado Lucero e Miguel de la Mora —canonizados todos, em 21 de maio de 2000, por João Paulo II. Também entre eles se conta o nome de S.Bernabé de Jesús Méndez Montoya (1880-1928), o primeiro santo michoacano: as forças estatais localizaram o Padre Bernabé, e sua ocupação, naquele momento crucial, foi a de, piedosamente, salvar hóstias consagradas, que tratou de consumir para evitar profanações. Feito isso, dirigiu-se ele a uma de suas irmãs, a quem sentenciou com heroicidade santa: “Es la voluntad de Dios. Que se haga su voluntad”. Mataram-no então com três tiros, a esse herói e mártir da cristíada, mataram-no com impiedade e injustiça exatamente aqueles que se diziam defensores da tolerância.

O padre Serafim Gonzalez, Vigário local, discretamente, não me confirmou a origem sobrenatural do ‘Cristo que cresce’. É verdade que, de modo expresso, não a excluiu como possível. É verdade que, ao mesmo tempo, aludiu a numerosos milagres no entorno da veneração a essa figura de Jesus Cristo morto, guardada no Templo de la Soledad, edificação vizinha à da igreja de Nuestro Señor del Rescate. É uma estátua do século XVI, feita com massa de haste de milho. Conserva-se, exposta à visitação pública, numa urna de madeira e de vidro. Dali sempre se retira, uma vez ao ano, tradicionalmente, séculos a fio, para a procissão da Sexta-Feira da Paixão. Prega-se então numa cruz: os ombros da figura foram articulados para permitir a extensão lateral dos braços. A partir de 1993, contudo, começou a produzir-se um fato extraordinário: aquela figura de milho pôs-se a crescer, a ponto de provocar a ruptura do cristal de vidro da urna em que, deitada, a encerram permanentemente. Terá crescido mais de 30 centímetros, talvez mesmo cerca de meio metro. Sua cabeça já não pode manter-se encostada no fundo da urna. Construiu-se um anexo para os pés —medi com meus próprios palmos esse anexo que supera os 45 centímetros. Olhei o quanto pude qual com os propositados olhos do apóstolo S. Tomé.

Mas como é isso? Por qual virtude a estátua se pôs a crescer depois de mais de 400 anos de estabilidade corpórea? O padre Gonzalez, prudentemente, registrou que o grande milagre é a vinda contínua de fiéis à pequena Tzintzuntzan, é a animação fervorosa das almas do lugar, os guardiões do Templo de la Soledad. Mas não sabe, nem pode explicar por que a estátua cresceu tão harmonicamente: as pernas, ambas, os pés, os dois, de maneira ordenada, guardando proporção com o crescimento do restante da massa corpórea. A figura resultante não é a de um Cristo surrealista, modernista, mas a de um Cristo gigantesco, de mais de dois metros de altura, cujos traços perceptíveis são os de uma figura fisicamente harmoniosa, sofrida embora com a Paixão.

Não sei eu dizer —quem é um pobre camponês para julgar mais largamente do que seus calçados?— se a figura do ‘Cristo que cresce’ cresce por ação natural, preternatural ou sobrenatural. Testemunhas dignas relataram-me o crescimento. Sinais exteriores o indiciam. E que o resultado é harmonioso, proporcional, isto o digo eu porque o vi, e o vi, como disse, com prudentes olhos de S.Tomé. Trouxe comigo um escapulário, presente do Padre Gonzalez —a quem agradeci com uma Ave-Maria—, e bebi meia caneca da água benta que se guarda em moringas postas aos pés do Cristo de milho.

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4 comentarios

DR6 -

Que pena! Nós, o Direito, a Religião e a Filosofia, ficamos mais pobres!

VP -

O blogueiro está hesitante em voltar a escrever.
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DR6 -

Quando volta nosso blogueiro......

Servvs Iacominvs -

O relatado é verdade. Certifico e dou fé.
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